Editor's Rating

9.7

“Corra!” – “Get Out”, no original – é escrito e dirigido por Jordan Peele, que mostra uma mesclagem muito bem trabalhada de horror, comédia e mistério, apesar de ser seu filme de estreia. Confira nossa crítica completa!

A história se inicia com Chris (Daniel Kaluuya) demonstrando receio em ter que viajar para conhecer a família de sua namorada, Rose (Allison Williams), que o garante que seus pais (interpretados por Bradley Whitford e Catherine Keener) não são racistas e irão acolhê-lo de forma gentil. Durante a viagem, coisas perturbadoras começam a acontecer a Chris e ele começa a suspeitar que a família esconde algum segredo envolvendo as pessoas negras que vão ao local em que a família mora.

Um dos espetáculos visuais mais perturbadores que já vi!
Críticas sociais e comportamentais, análises psicológicas, mistério, suspense, horror, comédia, sarcasmo, charme visual e questionamentos científicos. É uma narrativa construída para gerar uma dúvida em cada espectador na sala de cinema, e, acima de tudo, para perturbar as mentes – possivelmente – alienadas social e racialmente numa plateia.
Um roteiro praticamente perfeito!
Não há pressa para mostrar a que vem, é um roteiro que toma seu tempo, mas sem perder o caráter interessante que adquire desde o início. Obviamente, é possível sentir que algo vai acontecer, é possível entender a o que esse algo está relacionado, porém, o maior trunfo da escrita é conseguir segurar o mistério absoluto até o momento em que ele é para ser revelado.
Sim, é possível prever vários desenrolares possíveis para a trama, o intuito de um filme como esse é induzir o espectador a teorizar e fazê-lo se descobrir certo ou errado.

Todas as atuações estão interessantemente bem trabalhadas, o que faz com que todo o êxtase do suspense e a empatia à comédia sejam perfeitamente funcionais. Um trabalho louvável e perturbadoramente real de atuação, beirando uma espécie de crueldade psicológica que enriquece muito o resultado final da película.

Visualmente, é um filme que mistura atração, impressionando uma fotografia sensivelmente familiar ao primeiro ato; provocação, com variações curtas de temperatura e angulação muito interessantes e indutoras de mistério e, especialmente, muito encanto, é trabalhado para não perder a beleza, mesclando traços de simetria passageira com muita movimentação.
O caráter musical é estimulante ao desconforto, algo que, apesar de parecer ruim em teoria, contribui para a crueldade que a trama busca, acabando por deixar tudo mais interessante de se assistir. A música mescla batidas longas com um trabalho de voz inquietante, que evolui uma simples palavra a um surto de agonia.

“Corra!” entrou para minha lista de filmes para se ver apenas uma vez na vida junto do também perturbador “O Quarto de Jack”.
Socialmente importante e audiovisualmente incrível. A plateia se impressiona, a sociedade se inquieta e o cinema agradece: por mais filmes de horror como esse.

18 de Maio nos cinemas.

Confira o trailer: