Editor's Rating

Merece ser visto por quem aprecia terror, mas sem a mesma força visceral de Noites Brutais. A Hora do Mal mira mais alto — mas é menos preciso.

5

Impulsionado pela expectativa gerada por Noites Brutais, o novo filme de Zach Cregger, A Hora do Mal, abraça o desafio e, ao menos em seu início, transforma-o em trunfo. A trama nos envolve com uma premissa fascinante: o desaparecimento simultâneo de 17 crianças em uma pequena cidade. Cregger demonstra segurança ao empregar uma estrutura narrativa fragmentada, que nos apresenta os mesmos eventos sob diferentes pontos de vista. Esse recurso constrói uma tensão crescente e um quebra-cabeça emocional que captura o espectador, revelando aos poucos os segredos sombrios da comunidade — uma abordagem que remete ao estilo de Stephen King, com ecos de It – A Coisa e A Hora do Vampiro, ao explorar a paranoia e as fissuras sociais com toques de humor negro.

No entanto, o filme perde parte de seu fôlego quando as diversas linhas narrativas convergem. A resolução do mistério e a revelação da ameaça central — uma figura que se aproxima mais do cômico do que do aterrorizante — não conseguem manter o impacto da engenhosa construção inicial. Embora a recepção crítica seja majoritariamente positiva, destacando a montagem afiada e as ótimas atuações de Julia Garner e Josh Brolin, análises mais aprofundadas apontam certa superficialidade no desenvolvimento de temas relevantes e personagens secundários, culminando em um desfecho que soa aquém da grandiosidade do mistério apresentado.

A Hora do Mal se firma, assim, como um filme notável e uma evolução estilística para Cregger, que confirma seu interesse por narrativas ambiciosas e estruturas ousadas. Contudo, a ousadia formal não encontra respaldo na mesma profundidade temática, deixando a sensação de um truque engenhoso que não alcança um impacto emocional duradouro. É uma obra que merece ser vista, especialmente por quem aprecia um terror que desafia a inteligência do público, mas sem a mesma força visceral de Noites Brutais. A Hora do Mal mira mais alto — mas sua precisão no alvo é inconstante.