Um filme que dói por ser tão realista. Esta foi a impressão que tive ao sair da exibição. Tudo, da escolha estética até a preparação de elenco, ao meu ver, é muito atenciosa e assertiva. O filme retrata Gal, uma catadora de recicláveis que vive uma vida conturbada e violenta com seu marido Leandro, que é policial. Gal também tem dois filhos, Rihanna e Benin, interpretados pelos atores de mesmo nome. Eu não consigo frisar o quão as atuações infantis nesse filme trazem o peso e a leveza que conduz o decorrer dessa Ilíada que Gal vive. As crianças ainda tem sua inocência preservada pela mãe, mesmo ao enfrentar situações emocionalmente devastadoras. Ela abandona Leandro na surdina, certamente a única forma vista por ela, e leva seus filhos para a rua de modo a escapar de uma situação insustentável.
A escolha de atriz para Gal, vivida por Shirley Cruz, é espetacular. A atriz trabalha os diálogos maravilhosamente, empregando olhares e expressões faciais que por vezes substituem frases inteiras e deixam o espectador com a projeção de sentimentos que ela está passando. Tudo do filme gira em torno da figura heroica que Gal é, e de sua força incomensurável. Vale pontuar que somos levados a observar o nível de sobrecarga que Gal vive, tendo sido vítima do marido, arquitetando um plano para escapar dele, a menstruação descendo e ela não tendo dinheiro suficiente para absorventes. é sufocante, é impactante e sem sombra de dúvidas realista. A cena dela com seus dois filhos na carroça que ela puxa, de madrugada, no centro de São Paulo e ao som de Cabeça Dinossauro me causou imediato impacto audiovisual. Força era a palavra, determinação e resiliência.
O filme também registra como a paixão pelo futebol é vista, como ela cria uma comunidade, também como ainda existe bondade e fraternidade entre as pessoas, também retratando o papel civilizatório que as ocupações tem se tornado no cotidiano dos moradores de rua e das pessoas em situação de pobreza extrema.
Oi, pessoal! me chamo Danton Brasil e está é minha primeira crítica audiovisual! Este filme me causou muitas emoções e me reduziu a lágrimas em determinado momento, e acredito que ele ressonará em corações de muitos. Belíssima obra de Anna Muylaert, e uma atuação muito crível de Seu Jorge, que interpreta Leandro. Uma salva de palmas também para a estreia de Luedji Luna nos cinemas, que interpreta Val, a prima de Gal que a abriga temporariamente. O filme estreia dia 8 de Agosto nos Cinemas e é uma coprodução +Galeria e grupo Telefilms, com produção da Biônica Filmes.

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