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Anônimo 2: Mais porrada, menos surpresa e um potencial cômico na mira

6

Anônimo 2 (Nobody 2) retorna com a promessa de expandir o universo de Hutch Mansell, o pacato pai de família que, na verdade, é uma máquina de combate a serviço de uma organização questionável. A sequência acerta ao não se levar tão a sério, mergulhando de cabeça na comédia de ação. A premissa — Odenkirk e sua família tentando sobreviver a um dia caótico num parque aquático — é o cenário perfeito para uma violência estilizada e tiradas cômicas que nascem do absurdo. Com enxutos 89 minutos, o filme vai direto ao ponto, evitando a “barriga” que assombra tantas continuações e garantindo uma experiência ágil e descompromissada.

As coreografias de luta continuam sendo o carro-chefe, e a pancadaria aqui é tão criativa quanto no original. O roteiro, embora siga uma fórmula previsível, cumpre sua função ao entregar um humor de nicho que flerta com o caricato. O problema é que, com um elenco de apoio tão carismático e com um timing cômico notável, o filme parece andar com o freio de mão puxado. Bob Odenkirk, Christopher Lloyd e RZA formam um trio com potencial explosivo, mas o texto hesita em dar a eles a liberdade para improvisar e levar a comédia às últimas consequências.
A sensação que fica é a de um potencial desperdiçado. O filme se contenta em ser “apenas” um bom entretenimento, quando tinha todas as ferramentas para se tornar memorável. Falta um toque de anarquia, um momento em que a comédia realmente saia do controle e surpreenda o espectador.

No fim, Anônimo 2 entrega o que promete: uma sequência divertida, com ação bem executada e um humor sagaz que funciona na medida certa. É a sessão ideal para quem busca diversão rápida e sem firulas. Contudo, ao optar pelo caminho seguro, o filme deixa escapar a chance de abraçar seu lado mais caótico e se tornar um clássico instantâneo do gênero. É bom, mas poderia ter sido ótimo.