A sombra de Coppola é uma maldição para Dracula de Luc Besson. Desde o primeiro momento, o filme de Besson se acorrenta à versão de 1992 ao adotar sua principal invenção: a trama romântica da reencarnação. Ao fazer essa escolha, Besson não apenas convida a comparação, mas se condena a ela. O resultado, apesar do seu toque visual característico, soa como um eco tardio e desnecessário, um remake que ninguém pediu.

O espetáculo visual, marca registrada do diretor, serve de frágil escudo para uma narrativa errática. A direção falha em estabelecer um tom coeso, sabotando a si mesma com a inserção de gárgulas quase minions e momentos cômicos que diluem qualquer tensão. O problema se aprofunda no coração da história: a falta de química entre os protagonistas, que torna a suposta paixão eterna em algo mecânico e sem vida. O filme tem a aparência de uma grande ópera executada num parque temático.

No fim, Dracula é vítima de sua própria indecisão. Não tem coragem de ser uma releitura fiel do romance de Stoker, tampouco ousa reinventar o mito com autenticidade. Prefere habitar o meio-termo confortável do pastiche, reencenando um espetáculo alheio com menos alma e uma confusão de tons. Bonito de se ver, mas difícil de sentir — um filme que, ironicamente, morre afogado na estética de uma paixão que não consegue nos fazer acreditar.