O 29º longa da Pixar, Elio, acompanha a jornada de um garoto solitário que, após lançar um desejo ao cosmos, é abduzido e confundido com o embaixador da Terra na caleidoscópica Communiverse. O resultado é uma aventura de 93 minutos que exibe o espetáculo técnico do estúdio, com visuais de cair o queixo potencializados pelo novo pipeline de iluminação Luna, que faz cada superfície alienígena brilhar com uma vida própria e neon.

Os pontos altos são evidentes. O design do multiverso alienígena é deslumbrante , e as referências a clássicos de ficção científica — desde Encontros Imediatos até a narração de Carl Sagan sobre o Voyager Golden Record — criam uma calorosa carta de amor ao gênero. O filme também mergulha em elementos de horror cômico, um vestígio da sua visão original mais sombria; Glordon, o adorável parceiro de Elio, é introduzido de forma assustadora, e um clone de Elio na Terra gera momentos genuinamente perturbadores.

No entanto, o filme carrega as cicatrizes de uma produção turbulenta, que incluiu uma troca completa de diretores no meio do caminho. As costuras dessa mudança são visíveis para quem presta atenção: o roteiro, descrito por críticos como “desarticulado”, reflete a fusão de duas visões. A mudança do núcleo emocional — trocando a mãe de Elio por uma tia para justificar melhor seu desejo de fuga — e os cortes rápidos no terceiro ato denunciam a correria dos bastidores.

Ainda assim, Elio entrega o que se espera da marca Pixar: um espetáculo visual com um soco emocional garantido, focado em temas de pertencimento e luto não resolvido. Embora não atinja os picos revolucionários de Divertida Menteou Coco, posiciona-se como um dos esforços originais mais sólidos e comoventes do estúdio nos últimos anos.