Editor's Rating

Os fãs certamente vão ser tocados pelas semelhanças entre a atriz e a personagem, mas infelizmente o filme se resume aos seus trejeitos.

6

elisElis foi uma mulher ousada, dominante em um universo majoritariamente masculino na época. Infelizmente o filme se resume aos seus trejeitos. A obra de Hugo Prata é mansa, com a maior ousadia sendo um exagero melodramático em pontos chaves — que não funciona. Passeia com casualidade sobre quase 20 anos de carreira, dando a sensação de mudanças muito bruscas e extremas já que levam segundos na tela, apesar de serem espaços de tempo de anos na vida real. Faz parte do problema de traduzir para a tela grande um período de tempo amplo (da adolescência da cantora até sua morte) mas poderia ter se buscado soluções mais delicadas.

elis3O filme passeia por momentos muito ricos da história nacional, tanto do cenário musical quanto do cenário politico, mas aborda esses momentos de forma muito superficial e fraca — e com resoluções frágeis. E mesmo se a grande aposta fosse no melodrama, o filme passa pela fase final da vida de Elis sem explorar justamente seu elemento mais dramático. Com uma montagem e trilha sonora de impacto quando chegamos ao seu final, é um impacto gratuito, melodramático e súbito, já que a construção da tensão até chegar lá é praticamente inexistente. O elenco também se apresenta de forma não muito mais que satisfatória. Andreia Horta captura muito bem a imagem e os trejeitos de Elis, mas não mais do que isto.

O filme ainda é interessante para apreciar um resumo da carreira da cantora. Os fãs certamente vão ser tocados pelas semelhanças entre a atriz e a personagem, e seus momentos musicais são tocantes. Mas não é um filme que marcará a história do cinema brasileiro, enquanto sua personagem tema é um marco da musica brasileira.