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Uuma história de amor que machuca — como tantas outras — mas que gruda na pele.

8

Juntos parte de uma premissa assustadoramente literal: Tim e Millie, um casal em uma encruzilhada de seu relacionamento, se mudam para o campo e encontram uma força sobrenatural que começa a fundir grotescamente seus corpos.A escolha de Dave Franco e Alison Brie — casal na vida real — para os papéis principais adiciona uma química inegável à tela e ainda brinca com o próprio conceito de fusão que o filme explora.

O horror corporal é desconfortável exatamente como se espera do gênero. O filme não exagera em suas metáforas, na verdade a falta de sutileza é o ponto central: A incapacidade de se separarem quando estão claramente confrontando excelentes razões para não estarem juntos é o horror dessa situação, nunca nos foi prometido nenhuma sutileza. O longa brilha nos momentos íntimos entre o casal, conectando-nos de forma direta aos riscos emocionais da relação. O que vem depois, em termos de horror, é tanto mais eficaz porque nos importamos. Como Stephen King resumiu bem: “Filmes de terror funcionam quando você se importa com as pessoas. Este aqui funciona.”

No entanto, o que foi prometido nos trailers e no marketing era algo mais próximo de um terror tradicional — com sustos, monstros e muito sangue. Em vez disso, o que se encontra é um drama psicológico, carregado de tensão emocional e humor existencial. Nada disso é um defeito em si, mas pode explicar o tombo na recepção por parte do público. Quem esperava um festival de gore e adrenalina e encontrou, em vez disso, um drama de relacionamento e tensão psicológica. O humor também é mais existencial e sombrio do que cômico no sentido clássico, o que pode ter feito com que parte da audiência se sentisse enganada.

Apesar de seus tropeços, Juntos entrega algo mais raro do que se prometia: um horror relacional estranho, incômodo, imperfeito — mas memorável. Ele não desenvolve todo o potencial de seu mundo nem amarra todas as pontas do roteiro, mas encontra força justamente em sua fragilidade. No fim, é uma história de amor que machuca — como tantas outras — mas que, por isso mesmo, gruda na pele.