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ainda é possível fazer um filme decente de dinossauros, mas talvez não um filme novo
Depois do desastre que foi Jurassic World: Domínio, a franquia precisava desesperadamente de uma repaginada. Jurassic World: Renascimento chega com essa exata promessa: um novo começo, trazendo o visionário Gareth Edwards na direção, um elenco de peso com Scarlett Johansson e Mahershala Ali, e o retorno de David Koepp, roteirista do filme original. O resultado é, de fato, o melhor filme da saga em uma década. Isso, no entanto, diz mais sobre o quão baixo o nível havia caído do que sobre a qualidade deste novo capítulo. Para se ter uma ideia, a aprovação no Rotten Tomatoes saltou dos 29% do filme anterior para 58% — uma melhora expressiva, mas ainda longe de um sucesso de crítica.
O maior mérito do filme é, sem dúvida, a direção de Edwards. Ele consegue resgatar momentos de horror com monstros grandiosos e genuinamente ameaçadores, algo que a série não entregava há muito tempo. As cenas de ação são visualmente espetaculares e cheias de tensão. No entanto, toda essa ambição visual serve a um roteiro que mais parece um quebra-cabeça de aventuras estereotipadas. Somos levados de laboratórios supertecnológicos, que parecem saídos de um videogame, a um templo antigo que faria mais sentido em um filme de Indiana Jones, passando por uma loja de conveniência futurista que seria o cenário perfeito para um horror sci-fi. O filme tenta criar uma coesão estética que simplesmente não pertence à identidade da franquia, uma ambição que contrasta com seu orçamento mais modesto de US$ 180 milhões.
O principal tropeço, contudo, está no coração da obra: o roteiro. A história é uma sucessão de fórmulas recicladas, uma estrutura familiar que só funcionaria se não fosse tão oca e apressada, sem tempo para desenvolver qualquer uma de suas tramas. O elenco, visivelmente talentoso, se esforça, mas não consegue criar química em cenas rígidas com personagens rasos e unidimensionais. A narrativa até sugere passados interessantes e potencial para investimento emocional, mas essas sementes nunca são cultivadas.
Renascimento tenta adicionar novas peças ao seu parque de diversões, mas a execução deixa a desejar. A mistura de laboratórios de alta tecnologia com elementos de aventura clássica soa mal costurada, e a trama principal — uma “missão de busca” por amostras de DNA — não passa de um objetivo de videogame. No fim, o filme é exatamente o que a crítica descreveu: uma “falha bem-sucedida”. É melhor que seus antecessores imediatos, mas nem de longe se aproxima da magia ou da qualidade da trilogia original de Jurassic Park. É uma tentativa de ressuscitar a franquia que, embora tecnicamente competente, prova que ainda é possível fazer um filme decente de dinossauros, mas talvez não um filme novo.

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