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Quem esperava a sátira inteligente e o horror desconfortável do original, vai se frustrar.
Fazer uma sequência para um fenômeno viral como M3GAN nunca seria uma tarefa fácil. O primeiro filme foi uma tempestade perfeita de sátira, terror e memes de TikTok que o transformou num ícone instantâneo. Para a continuação, a equipe criativa fez uma aposta ousada: em vez de trazer a boneca assassina de volta como vilã, eles a ressuscitam como uma relutante anti-heroína. Na trama, M3GAN é reconstruída por sua criadora, Gemma (Allison Williams), para combater uma nova ameaça, a I.A. militar AMELIA (Ivanna Sakhno), que roubou sua tecnologia e agora ameaça o mundo. Essa mudança não rendeu bons frutos.
Os cineastas afirmam que a mudança de gênero para uma ficção científica de ação foi uma decisão deliberada, inspirada por clássicos como O Exterminador do Futuro 2 e Aliens. A intenção pode ter sido nobre, mas o resultado final passa bem longe disso, parecendo muito mais uma versão de Pequenos Espiões do que um suspense de ação sofisticado. O filme se joga de cabeça no camp e na comédia, mas o humor raramente funciona. As piadas e momentos “virais” forçados causam mais vergonha alheia do que risadas genuínas. A sensação é que, ao tentar agradar um público que se apaixonou pela vilã, os roteiristas suavizaram tanto a personagem que ela perdeu justamente o que a tornava interessante: seu veneno e sua crítica social afiada.
No que diz respeito à conversa sobre inteligência artificial, o filme também erra o alvo completamente. A trama tem um vilão que recicla todos os tropes mas não parece estar sendo irônico, e os conflitos dos personagens humanos são tão rasos e mal desenvolvidos que não há espaço para qualquer reflexão. No fim, o discurso sobre I.A. que o filme apresenta é mais fraco do que os tópicos que o próprio ChatGPT poderia sugerir, um amontoado de ideias que nunca se aprofundam ou oferecem uma perspectiva original.
No fim das contas M3GAN 2.0 não é de todo ruim, mas é uma sequência decepcionante. Ele tem seus méritos, como as cenas de luta bem coreografadas e o carisma que a boneca ainda consegue manter. Para um público adolescente, a mistura de ação e comédia boba funciona como um bom passatempo. No entanto, para quem esperava a sátira inteligente e o horror desconfortável do original, a experiência será frustrante. Ao tentar ser maior e mais espetacular, o filme sacrificou sua alma, entregando uma versão “aguada” de um ícone que merecia um upgrade, e não um downgrade.

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