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Menos devastador, mas ainda cruel, Os Roses mostra dois gigantes da atuação desmontando um amor até restarem apenas os espinhos.
Em uma era de remakes cautelosos, Os Roses, de Jay Roach, escolhe o bisturi em vez da marreta. O resultado é um campo de batalha conjugal polido, elegante, mas onde os golpes mais brutais são evitados. Isso pode frustrar quem esperava o caos anárquico do original, mas abre espaço para o verdadeiro espetáculo: o duelo titânico entre Olivia Colman e Benedict Cumberbatch.
A química entre os dois é a própria razão de existir do filme. Cada diálogo, afiado pela acidez de Tony McNamara, se transforma em arma, revelando a lenta metamorfose do amor em desprezo performático. Nos olhos de Colman, a decepção vira estratégia; na postura de Cumberbatch, a arrogância se dissolve em pânico. Mesmo quando o roteiro hesita, eles mantêm o conflito vivo.
O humor britânico e sarcástico garante risadas secas, mas a direção elegante de Roach sufoca parte da sujeira emocional que a história exigia. No lugar da destruição visceral do passado, surge um duelo mais frio: não apenas por uma casa, mas pelo direito de narrar quem “venceu” o relacionamento. Menos devastador, mas ainda cruel, Os Roses mostra dois gigantes da atuação desmontando um amor até restarem apenas os espinhos.

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