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Menos devastador, mas ainda cruel, Os Roses mostra dois gigantes da atuação desmontando um amor até restarem apenas os espinhos.

7

Em uma era de remakes cautelosos, Os Roses, de Jay Roach, escolhe o bisturi em vez da marreta. O resultado é um campo de batalha conjugal polido, elegante, mas onde os golpes mais brutais são evitados. Isso pode frustrar quem esperava o caos anárquico do original, mas abre espaço para o verdadeiro espetáculo: o duelo titânico entre Olivia Colman e Benedict Cumberbatch.

A química entre os dois é a própria razão de existir do filme. Cada diálogo, afiado pela acidez de Tony McNamara, se transforma em arma, revelando a lenta metamorfose do amor em desprezo performático. Nos olhos de Colman, a decepção vira estratégia; na postura de Cumberbatch, a arrogância se dissolve em pânico. Mesmo quando o roteiro hesita, eles mantêm o conflito vivo.

O humor britânico e sarcástico garante risadas secas, mas a direção elegante de Roach sufoca parte da sujeira emocional que a história exigia. No lugar da destruição visceral do passado, surge um duelo mais frio: não apenas por uma casa, mas pelo direito de narrar quem “venceu” o relacionamento. Menos devastador, mas ainda cruel, Os Roses mostra dois gigantes da atuação desmontando um amor até restarem apenas os espinhos.