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um monumento deslumbrante mas vazio.
Tron: Ares é um filme que não se contenta em ser visto — precisa ser sentido. A nova incursão da Disney pela mitologia digital é uma experiência construída para dominar os sentidos, um espetáculo em que imagem e som competem pela atenção do espectador. Visualmente, é uma coreografia de luzes que beira o sublime, projetada para ser absorvida em telas imensas. A trilha sonora do Nine Inch Nails é o motor que mantém o filme pulsando. Em muitos momentos, é ela quem dita o ritmo e preenche o vácuo emocional deixado pelo roteiro, substituindo o que a narrativa não consegue sustentar. Os graves fazem vibrar as poltronas e o corpo, criando uma imersão física rara. O som não apenas acompanha as imagens — ele as domina, conduzindo a experiência com uma energia que faz de Ares um espetáculo quase sinestésico.
No centro disso tudo, Jared Leto entrega sua atuação mais adequada em anos. Sua rigidez, tantas vezes alvo de críticas, encontra aqui um personagem moldado para essa presença. O Ares de Leto é um ser que parece à beira de compreender a humanidade, mas sem jamais alcançá-la — e essa distância funciona a favor do papel. O elenco de apoio brilha intensamente: Greta Lee, como a CEO Eve Kim, rouba a cena e carrega o peso emocional do filme. Jodie Turner-Smith, como Athena, é uma antagonista formidável e feroz. E Gillian Anderson injeta em poucos minutos uma densidade que o texto não oferece, transformando o que seria uma atuação decente de Evan Peters em um vilão consideravelmente mais interessante.
O roteiro, por sua vez, embora não comprometa o espetáculo, não adiciona nada. É eficiente o bastante para justificar a ação, mas falta profundidade e inovação. Tron: Ares é, assim, um retrato perfeito do blockbuster contemporâneo: um monumento deslumbrante mas vazio. Um filme que entrega tudo o que promete aos olhos e aos ouvidos, mas pouco ao coração. Ainda assim, cumpre com excelência a função de ser uma experiência sensorial total. O público sai da sala talvez sem se lembrar da história, mas com o corpo ainda vibrando no compasso das batidas do Nine Inch Nails. Uma celebração da forma, mesmo quando falta substância.

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