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Se a cara da Cara Delevigne no pôster não foi o suficiente pra te convencer que Valerian vai ser o flop do ano, o filme em si vai mudar a sua opinião.
Se a cara da Cara Delevigne no pôster e nos trailers não foi o suficiente pra te convencer que Valerian vai ser o flop do ano, não tem problema, o filme em si vai mudar a sua opinião. Com um roteiro fraco e personagens rasos, o longa luta pra interessar o espectador, que se esforça pra ficar acordado até o fim.
Começamos o filme sendo apresentados a um universo futurista maravilhoso em que diversas espécies de alienígenas e nós, humanos, convivemos em (quase) plena paz. Tudo parece ter evoluído, incluindo nossa raça, que aprendeu a conviver sem matar o coleguinha. Porém, logo no início também, conhecemos uma raça específica de alienígenas que, infelizmente, foi pega no fogo cruzado e perde seu planeta numa guerra desconhecida. E é só até aí, sinto em dizer, que o filme é legal.
Logo depois, conhecemos nossos protagonistas, o Major Valerian e sua parceira Laureline. Apesar de terem carinhas de bebê (e serem bem novinhos na vida real), os dois, aparentemente, têm uma vasta experiência no exército e são valiosos agentes. Valiosos porque… Eu confesso que não sei, já que eles são extremamente incompetentes em todas as missões que têm que cumprir. Juro.
Juntos, o senhor não-me-comprometo-nunca Valerian e a senhorita sou-a-típica-mulher-clichê-que-dirige-mal Laureline descobrem alguns podres do governo humano no espaço, e são forçados a tomar decisões que podem alterar o curso da história humana para sempre, tudo isso enquanto lidam com seus sentimentos um pelo outro e suas diferentes perspectivas quanto ao amor.
Essa história soa linda, mas ela é fraca. Os personagens não têm um desenvolvimento bom e você não entende muito bem quais são suas motivações, já que não é explicado em momento algum porque eles agem como agem ou são como são. Então, não conhecemos nossos protagonistas o suficiente para gostar deles, torcer por eles, entender como se sentem e todos esses elementos necessários para cativar o público. Valerian e Laureline são tão genéricos e sem sal que despertam a pior de todas as reações: a indiferença.
Eu adoraria estar exagerando aqui, mas não estou. O roteiro foi tão fraco no geral que não só os personagens saíram desse jeito, mas os diálogos também. Exemplo: fica bem claro para todo mundo os momentos que o filme tenta ser engraçadinho, uma coisa meio Avengers, só que ele não consegue ─ a piada vinha, a piada ia e eu contava nos dedos o número de pessoas rindo.
Outra falha foi, obviamente, o desenvolvimento da história em si. A premissa era boa, e certamente tinha muita coisa para contar em apenas duas horas, mas o filme falhou nisso também. Preocupado em manter seu lado de ação e tiros, ele esqueceu de se importar com o enredo principal, e, em certo momento, perdemos pelo menos uns 20 minutos com uma sequência de cenas totalmente irrelevantes e desnecessárias que pareciam mais um filler de Bleach ou Naruto do que um filme do Luc Besson.
E
, por fim, para quem tem alguma noção do que está acontecendo nos Estados Unidos agora, podemos ver no fundo, beeeeem no fundo, uma clara crítica ao comportamento bélico e anti-imigrante americano. É uma crítica válida e necessária, mas rasa como todo o resto do filme, e provavelmente vai passar batida pela maior parte de seu público, infelizmente.
Eu poderia falar muito sobre mais problemas, como a cena com a Rihanna que é, em diversos aspectos, muito errada, o fato que as mulheres do exército andam de minissaia (claro, vou lutar com o inimigo e expor minhas pernas para qualquer arma me atingir com mais facilidade), a roupa especial de combate da agente Laureline tinha seios, mas eu só vou mencionar e deixar aqui pra reflexão.
No fim, Valerian conta apenas com seus efeitos visuais para ser considerado um bom filme e tem um ponto certo no roteiro, que é sua crítica sutil ao governo americano, mas, no geral, por ter um roteiro tão fraco, personagens tão sem graça (e sem química entre si) e uma atuação que poderia melhorar, o longa compete ferozmente ao título de maior decepção do ano. Desculpa, Luc, mas não foi dessa vez.

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