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Cynthia Erivo e Ariana Grande continuam elétricas juntas, mas não conseguem esconder que esta sequência é um encerramento burocrátic.
A decisão de dividir o musical em dois filmes cobrou seu preço, e os números não mentem: a queda na aprovação crítica em relação ao primeiro filme é visível, saindo de 88% para cerca de 72% no Rotten Tomatoes. Ao esticar o segundo ato do palco — que já era estruturalmente mais frágil e corrido — para um longa-metragem de mais de duas horas, a produção expôs as falhas do material original em vez de corrigi-las. O resultado é um filme que sofre com problemas graves de ritmo, soando menos como uma obra cinematográfica coesa e mais como um longo e cansativo “epílogo de explicação”, que corre para amarrar pontas soltas sem permitir que o drama respire.
Essa fadiga se estende à trilha sonora. Os grandes números vindos do palco ainda funcionam — alguns pela força da melodia, outros pela entrega absurda de Erivo e Grande —, mas tudo o que foi adicionado para o cinema soa frágil. As novas canções não chegam perto do impacto de um “Defying Gravity” e muitas vezes atuam como parênteses explicativos musicalizados, esticando cenas que já tinham dito a que vieram. Em vez de aproveitar a liberdade do cinema para reimaginar o ato 2, o filme parece preso a uma reverência quase protocolar ao musical, mas sem a mesma urgência que o teatro impõe.
O que impede o desastre total é, novamente, a força da dupla principal. Cynthia Erivo e Ariana Grande continuam elétricas juntas, trazendo uma vulnerabilidade e um timing cômico que, por vezes, superam a direção pesada. No entanto, nem mesmo o carisma das protagonistas ou a certeza do sucesso comercial — já que o filme se provou “à prova de críticas” nas bilheterias — conseguem esconder que esta sequência é um encerramento burocrático. Wicked: Parte 2 prova que fidelidade excessiva e orçamento inflado não substituem uma boa narrativa, entregando um final que brilha muito menos do que seus sapatos de rubi prometiam.

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