Nota: o texto abaixo contém spoilers da quinta temporada de Game of Thrones e do quinto livro, a Dança dos Dragões!

Seria muito pedantismo falar que quantidade não é qualidade, que pra haver muito público, invariavelmente, grande parte tem que ser de espectadores fracos? Concordo, é pedante e até clichê, mas Game Of Thrones nesta quinta temporada não ajudou para que pudéssemos dizer que é mentira.

As crônicas de gelo e fogo foi um esforço que George R. R. Martin desprendeu para se livrar das amarras de Hollywood, como ter um roteiro simples, poucos personagens, histórias não tão longas etc. Partindo desse desejo de liberdade, George RR Martinele criou uma história que eleva à potência de cem o ideal de histórias dentro da história, e com uma capacidade inimaginável fez com que isso ficasse interessante, na verdade, excitante.

Bem, adaptando para a TV, a série Game of Thrones conseguiu manter esse ideal, algo que chamarei roteiro não-retilíneo, problematizante, complexo, isso ficou claro quando conseguiram transportar a guerra dos cinco reis para as telas, conseguindo mostrar as capacidades e incapacidades de cada rei, mostrando que para reinar não é só ter um bom coração e um grande exército, mas esperteza, jogo de cintura, aliados e domínio da política. Mas nesta quinta temporada, algumas atitudes foram tomadas com o sentido de simplificar a trama e deixá-la mais mastigada para o público geral (e já não sei se houve o boom de audiência e fizeram isso ou se porque isso fizeram que houve o boom).

Vou explicar onde quero chegar. No quinto livro, A dança dos dragões, há quatro pretendentes ao trono, Tommem, Stannis, Daenarys e Aegon. Neste cenário, Tommem está sentado no trono de ferro, um garoto fraco, inexperiente que com suas incapacidades pôs King’s Landing em uma crise ao deixar sua mãe governar, não há discordância de que ele é um desastre. Daenerys Targaryen é uma jovem de bom coração, que entende muito pouco de política e de governar, talvez por falta de experiência e o governo de Khal Drogo não ter sido um bom exemplo pra locaisstannis-baratheon-5-1434373105 civilizados. Ela está perdida em algum lugar de Essos depois de Drogon tê-la salvado. Stannis é um homem de gênio forte, justo e impassível, mas o que lhe sobra em justiça falta em carisma e em aliados, o que poderia ser fatal para um eventual governo seu. Está se preparando para marchar sobre Winterfell, e deixou a ordem de se mesmo que morresse, deveriam continuar com sua luta e pôr sua filha, Shireen, no trono. E, por último, Aegon Targaryen, suposto filho de Rhaegar e sobrinho de Daenerys, surge inesperadamente para deixar tudo mais complexo. Liderará um ataque a Ponta da Tempestade. Bem, enquanto nos livros o cenário fica cada vez mais incerto e excitante o que a série fez?  Primeiro, retirou Aegon da soma, simplesmente sumiu com o Jovem Griff. Segundo: escrotizou Stannis como nunca antes, fazendo-o queimar sua filha viva, lhe tornando o personagem mais odiado da quinta temporada e pra nenhum fã da série um pretendente válido ao trono. Deram fim dele no último episódio da temporada. Terceiro: como já dito, Daenerys tem problemas em lidar com a política, e o que fazem? Colocam o personagem que mais entende de política e mais adorado pelos fãs ao lado dela, Tyrion Lannister, limando todos os problemas da personagem, pois o que não conseguir, o amado anão conseguiria, transformando ela na única pretendente válida ao trono, isso fica claro no nono episódio, em uma conversa que ela teve na arena de Meereen sobre o que é certo ou errado com seu esposo, Hizdahr zo Loraq,  e quando este lhe dá uma surra intelectual colocando à prova suas maiores convicções, Tyrion chega para lhe salvar, sendo um rival à altura de Hizdahr.

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Conseguem ver a armadilha? “Votem todos em Daenerys para o trono de ferro, ela não é perfeita, porém fizemos de seu governo algo perfeito… Mas mesmo assim, só tem ela concorrendo mesmo”, foi desse jeito que me senti com o último episódio da quinta temporada e essa é minha crítica central à série, que os produtores tomaram algumas ações que em vez de simplificar a trama, apenas a deixou mais simplória. O que virá disso? Será bom ou ruim? Só a sexta temporada poderá dizer. Mas digam se concordam ou não com a análise, se fui injusto, complementem.