Muito bem, aqui estamos. Anos depois de uma hecatombe pandêmica dos anos 20, do êxodo em massa do falecido twitter e de algum tempo perdido no deserto dos vídeos curtos, sua boa e velha coluna Rebobinando ressurge das trevas do esquecimento, tal qual os próprios assuntos que ela busca ressuscitar para um público que sequer faz ideia do que significa “rebobinar”.

Podemos dizer que esta é a All-new All-different Rebobinando? Ou quem sabe New Rebobinando 52? Hum. Rebobinando: Rebirth?

Que seja.

Estamos de volta. Vem comigo.

O campeão defensor dos frascos de comprimidos!

PARA O ALTO E AVANTE!

Passei o dia pensando no que eu poderia escrever para esta nova primeira coluna, quando me dei conta de que poderia aproveitar o embalo de um dos filmes do momento e comentar sobre aquele que talvez seja o maior super-herói dos quadrinhos. Não. Não é o Wolverine. É o Superman. Ou Super-Homem, para os mais íntimos. 

Mas não só por causa do novo filme, mas talvez pelo contexto histórico atual, o personagem tem surgido com mais relevância em inúmeras conversas e video-essays na internet. De um lado, uma parte dos fãs faz questão de apontar suas origens como imigrante, criado por descendentes de imigrantes judeus dos EUA nos anos 1930. Outros, no entanto, se agarram ao lado mais patriótico do personagem alegando que ele sempre foi e sempre será o símbolo máximo do poder cultural dos Estados Unidos sobre o mundo. Mas e aí? Quem está certo nisso tudo? Será que o Último Filho de Krypton é um revolucionário punkrocker, ou apenas mais uma engrenagem na grande máquina de propaganda do Tio Sam?

As muitas faces do Homem-de-Aço: O fantoche americano, o justiceiro social e o punkrocker.

ORIGENS HUMILDES

E se eu te disser que o Superman na verdade, surgiu primeiro como um vilão?! Mas nada do tipo Injustice ou como o Capitão Pátria em The Boys. Acontece que os criadores Jerry Siegel e Joe Shuster, antes de firmarem seu sucesso definitivo com o personagem, tentaram por muitos anos emplacar uma história nos jornais e revistas dos EUA nos anos 1930. Então, em 1933 os dois escreveram The Reign of the Superman, que pode ser traduzido livremente como “O Reino do Super Homem”, uma história que falava de um mendigo que aceita fazer parte de uma experiência e acaba ganhando poderes mentais que ele usa para controlar pessoas e, eventualmente, assassinar seu criador. Logo em seguida, ele descobre que seus poderes não eram permanentes e ele acaba voltando à sua vida de… bom, mendicância durante a Grande Depressão norte-americana.

Era uma história curta que tinha como tema aquela máxima de “o poder absoluto corrompe absolutamente”, mas é no mínimo curioso notar que o personagem principal era um careca com cara de malvadão (o que já poderia indicar uma espécie de pré-origem para outro personagem do elenco do azulão: o vilão Lex Luthor). Aparentemente, as origens dos dois estão bem mais interligadas do que todos imaginam. 

O primeiro Superman do mal e a primeira aparição de Luthor (com cabelo) em Action Comics #23.

Nos anos seguintes, no entanto, Siegel e Shuster adaptaram sua obra para transformá-lo em um herói extremamente necessário para a época, um típico “justiceiro social”. Vindo de um planeta distante que entrou em colapso e foi destruído, o pequeno Kal-El chegou à Terra dentro de um “cesto” espacial, onde foi adotado por um casal simplório do interior do Kansas. Rebatizado como Clark Kent, o herói já adulto se muda para a gigantesca cidade de Metrópolis, na costa leste dos EUA e começa a agir como Superman para corrigir injustiças contra os fracos e oprimidos.

Muitos escritores apontam que, por virem de famílias judias que imigraram para os EUA, os criadores do Superman acabaram imbuindo em sua origem uma certa analogia a uma das maiores figuras do judaísmo: o profeta Moisés. Da mesma forma, ambos são “abandonados” por seus pais biológicos, na esperança de salvar sua vida. Ambos são adotados por novos pais que o fazem enxergar o mundo de uma nova maneira. E ambos passam a fazer parte deste mundo novo e trabalhando incansavelmente para trazer paz, ordem e fazer justiça diante dos descalabros de pessoas em posição de poder. Sejam eles faraós, políticos corruptos ou gângsteres inescrupulosos. 

Em nome do pai, do filho e de Krypton, amém.

E o engraçado é que, seja por conta da época, ou da mentalidade dos próprios escritores, o Superman em início de carreira não é tão manso ou compreensível como ele ficou conhecido anos depois. O herói era do tipo que distribuía sopapos a torto e a direito, que ameaçava malfeitores dizendo que “deveriam se comportar, ou senão…” (senão o quê, né?). Ele era um pouco mais bruto e violento em seus métodos, como se fosse para garantir que os vilões não cometessem mais delitos. Exemplos? Encher de porrada um cara que agredia a esposa (Não está mais batendo numa mulher, né?); Pegar o dono de uma mina e seus convidados ricaços no meio de uma festa e trancá-los na própria mina do cara, que não possuía nenhum equipamento de segurança funcionando; Prender na solitária o diretor de um presídio que torturava os internos; e por aí vai.

Como um bom justiceiro social, em suas histórias ele ia atrás dessa galera que estava em posições de poder: donos de fábricas, diretores de empresas de seguro de vida, juízes e policiais corruptos que aceitavam dinheiro de gângsteres, fabricantes de armas que incitavam conflitos entre países diferentes para lucrar com a venda de armas e munições, etc. etc.

Tudo com aquele linguajar bem politicamente incorreto dos anos 1930, também.

O Super daquela época não brincava em serviço.

TAPA NO JAPA

Só que logo no início da carreira, o Superman teve que lidar com um outro problema que mudou todo o mundo de uma vez: A Segunda Guerra Mundial. Durante muito tempo, aliás, a DC Comics e os autores evitaram tratar diretamente do conflito, colocando o herói para lutar contra um espião de um país desconhecido aqui, um vendedor de armas acolá… Porém, depois que os EUA se unem às forças Aliadas, as luvas de pelica são removidas e o Super começa a ser usado como uma propaganda muito efetiva no esforço de guerra.

É justamente nesse período que a imagem do personagem como uma ferramenta de propaganda do governo americano se estabelece e cria conflitos, em especial com os propagandistas do Eixo. Em um artigo de uma revista da época, Siegel e Shuster publicam uma história de duas páginas intitulada Como o Superman daria um jeito na guerra, mostrando que ele entraria no Japão e na Alemanha sem maiores dificuldades e pegaria os líderes de ambos os países pelo gogó e os carregaria direto para um tribunal na Suíça. Isso gerou uma resposta do próprio Joseph Goebbels que lamentou “que a juventude americana viva em um ambiente tão tóxico, que sequer reparam nos venenos que consomem diariamente…”.

“Como o Superman daria cabo da guerra…”

Ao fim da guerra, o editor Mort Weisinger determinou que o Superman de antes da guerra não tinha mais espaço nas revistas da DC Comics. Segundo Dennis O’Neil, Weisinger foi o responsável por metamorfosear o Homem-de-aço de um “cara durão e esperto com um entusiasmo inabalável em busca de reformas” para um “líder de escoteiros de capa”. Nessa linha, os poderes do Superman aumentaram consideravelmente, mas seu interesse em proteger os mais humildes diminuiu na mesma proporção. O’Neil acredita que essa mudança de tom se deu para que os leitores não precisassem mais se lembrar dos problemas da época da Grande Depressão ou dos horrores da Segunda Guerra. 

Em outras palavras, o Super-Homem mudou para se tornar uma presença mais reconfortante, para garantir aos leitores que tudo ficaria bem.

Superman ao longo das décadas.

ACREDITE QUE UM HOMEM PODE VOAR

Chegamos em 1978, exatos quarenta anos após o lançamento de Action Comics #1 e o surgimento do Superman. Nas últimas três décadas (pelo menos desde do fim da guerra), todo o aspecto do herói foi mudando mais e mais. Suas histórias há muito tempo não tratavam de temas sociais e focavam apenas em aspectos de ficção científica e fantasia. O Último Filho de Krypton desenvolvia poderes cada vez mais absurdos que iam desde lançar raios de arco-íris das mãos até “super ventriloquismo” e “super hipnose”.

É nesse teor que o filme de Richard Donner surge quebrando alguns paradigmas e criando outros. A decisão de tratar um filme de super-herói de maneira mais séria, chega a ser um avanço para a própria época. Vamos lembrar que, nos quadrinhos, o evento Crise nas Infinitas Terras ainda estava longe de acontecer, bem como outros eventos que mudariam a cara dos comics americanos para sempre (estou falando, claro, de Watchmen e Cavaleiro das Trevas). Na TV, o público tinha contato com o Superman através dos desenhos da Hanna-Barbera e nos gibis, o herói ainda tinha um apelo bem mais infantil. Donner traz para o homem-de-aço uma carga dramática muito maior ao escalar nomes de peso como Marlon Brando para o papel do pai biológico do herói, Jor-El; além de Gene Hackman para o papel do gênio do crime, Lex Luthor.

Dois ícones do cinema e um desconhecido de Julliard.

Mas ainda assim, de uma maneira geral, o Superman ainda é retratado como a figura de um americano exemplar, mesmo vindo de outro planeta. Inclusive, talvez esse aspecto de salvador da cultura americana tenha sido reforçado pelas comparações que Donner faz com a figura mitológica de Jesus Cristo. Há muito tempo, as associações com Moisés foram esquecidas e, durante o monólogo de Jor-El no início do filme, fica claro as inspirações católico-cristãs de Donner para o último filho de Krypton. A voz ribombante de Brando declara:

Viva como um deles, Kal-El, e descubra onde sua força se faz necessária. Contudo, tenha sempre orgulho de sua linhagem especial. Este povo tem potencial para a grandeza, Kal-El, se assim o quiserem. Só precisam de uma luz que lhes ilumine o caminho. Por esta razão, acima de todas, da capacidade que eles têm para fazer o bem é que eu lhes envio você… meu único filho.

Nas portas dos anos 1980, o Superman já não é mais socialista, herói de guerra, defensor do american way, ou um elemento de ficção científica. 

Ele agora é deus.

“Amai-vos uns aos outros como para o alto e avante!”

REBOOT, MORTE E REBOOTS.

Chegamos, enfim, aos anos 1980 e 1990. Duas décadas que foram bem marcantes para o personagem. Em primeiro lugar, em 1986, o Superman passou por uma renovação em sua história. A DC Comics acreditava que seus personagens pareciam ser antiquados demais para os parâmetros desta nova década e, portanto, resolveu resetar tudo com um evento que se espalhou por todos os títulos da editora, a famosa Crise nas Infinitas Terras.

O objetivo era renovar alguns heróis e equipes para torná-los mais modernos, talvez, diante de um público que estava interessado em outros tipos de super-heróis e histórias. A essa altura, grandes clássicos dos quadrinhos já haviam sido publicados e davam início a uma nova era de tramas mais sérias, personagens mais deprês, músculos mais inflados e cinismo mais exacerbado. Como não dava para jogar tudo isso num herói só, a DC escolheu alguns dos seus carros-chefes e os entregou para autores que eram bastante populares no momento.

And we gonna let it Byrne, Byrne, Byrne…

Foi assim que John Byrne emplacou sua “versão definitiva” do Superman em 1986, com a revista Superman: The Man of Steel. O autor junta elementos mais modernos do personagem, como alguns apresentados pelo filme de 1978, além de apresentar algumas ideias novas e reformulações de outros personagens coadjuvantes. O desastre de Krypton não parece mais tão relevante, mas ele apresenta uma sociedade completamente afastada de seus costumes humanos e focada em desenvolvimento científico. Desta forma, o Superman não é enviado para a Terra como um bebê, mas como um embrião em um “útero tecnológico” apelidado de matriz de gestação. Desta forma, quando ele cai em nosso planeta, o pequeno Kal-El literalmente nasce em solo americano, fazendo dele um “americano real”. Além disso, Lex Luthor deixa de ser um criminoso inteligente para se tornar um multimilionário egocêntrico, dono de sua própria empresa, a LexCorp. Todos os outros personagens kryptonianos desaparecem. Não há mais Zod, nem Supergirl, nem Krypto. Kal-El é definitivamente tudo o que restou de sua espécie, fazendo dele o verdadeiro “último filho de Krypton”. 

A nova fase do herói acaba se tornando bastante popular (e tem sido republicada pela Panini há algum tempo em A Saga do Superman) e dura por um tempo considerável. Pelo menos até meados dos anos 1990, quando a DC precisa não apenas enfrentar sua concorrência costumeira com a Marvel Comics, que vinha emplacando sucesso de vendas atrás de sucesso de vendas com personagens como o Homem-Aranha, X-men e X-force, como também precisava encarar os novos heróis ultra populares da Image Comics. Então, em 1992, a editora resolve fazer o impensável.

Matar o Super-Homem.

“Os exageros sobre minha morte foram extremamente relatados”.

Foi um golpe de marketing incrível, no fim das contas. A notícia rodou o mundo e trouxe um novo interesse ao personagem, sendo comentada em jornais e até mesmo em provas de vestibular (segundo minha irmã). De uma maneira mais simples, a trama de sua morte foi mais uma maneira de reformular o personagem não só tematicamente como visualmente. O Superman acaba se sacrificando em uma batalha exaustiva contra um monstro extremamente violento, e em seu lugar surgem quatro novos homens-de-aço, cada um envolvido em uma rede de mistérios. 

A trama que traz o herói de volta foi curiosamente apelidada de The Reign of the Supermen (com “e” mesmo, pq está no plural em inglês). Fazendo menção à primeiríssima história de Jerry Siegel e Joe Shuster, O Reino do Super Homem. Aqui no Brasil, pelo menos em sua primeira publicação ainda nos anos 1990, esse detalhe se perde e a história ganha o nome genérico de O Retorno do Super-Homem.

Após a revelação de que um dos quatro Supermen é um vilão impiedoso. Todos os outros se unem para derrotá-lo e, assim, Clark Kent volta a ocupar o seu título de maior herói da Terra, só que agora com um rabinho de cavalo. O interesse no personagem perdura por mais alguns anos, muito em parte pelo sucesso do seriado Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman, que foca nos aspectos da vida social do personagem, mais como Clark do que como Super. Além da série, a Warner, dona da DC Comics há anos lança também em 1996 uma nova série animada chamada Superman: The animated Series, que seguia o mesmo modelo de uma outra serie animada de sucesso do estúdio, Batman: The animated Series.

“O Reino dos Super-Homens”.

NOVO MILÊNIO, TERRORISMO E DESCONSTRUÇÃO

Chegamos aos anos 2000. O novo milênio vinha de uma década de decepção com o sonho americano e em busca de mais uma revolução. Seja ela cultural, artística, ou mesmo social. No mundo da cultura pop, os heróis estavam cansados de serem retratados como os bons moços da Era de Prata, mas também já estavam cansados da EXXXXTREMA violência e choque visual tão típico da “Era de Cromo” dos quadrinhos americanos. Nesse pequeno novo ímpeto de ar fresco que muitos achavam que os anos 2000 trariam, surge uma nova estética impulsionada por um filme revolucionário em muitos aspectos, lançado em 1999: Matrix.

Essa nova estática dura por algum tempo, mas acaba sendo acoplada a um outro evento histórico de grandes proporções, em especial no mercado americano de filmes, quadrinhos, livros e cultura em geral. Quando os atentados de 11 de Setembro de 2001 ocorrem, eles meio que pegam de surpresa boa parte do mundo. O caráter revolucionário que o novo milênio prometia acabou sendo substituído por uma nova revisão do nacionalismo ufanista norte-americano, só que desta vez vestindo couro preto e sobretudo, em vez de capa e sunga por cima da calça.

“Eu vôo, uso preto, minha capa é um sobretudo e TAMBÉM sou Jesus!”

Entrou na moda a “desconstrução” de super-heróis e supervilões. Será que os mocinhos eram realmente tão mocinhos quanto pensávamos? Será que os vilões eram realmente vilões ou apenas figuras mal compreendidas, heróis em suas próprias narrativas? O Superman, em vez de ser reformulado ou substituído por outros heróis parecidos, agora precisava ser completamente desmontado e remontado em uma figura mais ameaçadora, diante de um mundo em guerra que não sabia mais reconhecer individualidades ou privacidades. Mais uma vez, sua bondade, seu visual e seu powerset eram vistos como ridículos e precisavam ser mais uma vez adaptados aos novos tempos.

Assim, o Superman teve uma série de cópias, paródias, ou homenagens que eram para serem encaradas ou como a “nova versão definitiva” do personagem (o que não eram), ou como uma versão “mais próxima da realidade” de alguém com poderes tão absolutos como os dele (o que também não eram). Com isso tivemos personagens como uma nova adaptação do Hypérion (Marvel Comics), de J. Michael Straczynski; Omini-Man (Image Comics); Capitão Pátria (Dynamite Comics); Apollo (Image Comics); Ex-Machina (Wildstorm); Marvel Azul (Marvel Comics); Metro Man (Dreamworks); Brightburn (Sony Pictures); All-Might (Shueisha); e por aí vai.

Copia, só não faz igual.

Hoje em dia é impossível caminhar no mundo dos quadrinhos sem tropeçar numa cópia violenta, egocêntrica ou cômica do Superman. E dentro desse aspecto de revisionismo eterno, a própria DC Comics não poderia ficar para trás e deixar seu principal super-herói ser visto, revisto e desconstruído sem que ela mesma tirasse proveito disso. E assim, mais uma vez, a editora reboota o Homem-de-aço.

E para quem ainda está contando, temos: Grande Depressão, Guerra, Pós-guerra, pós-crise (Byrne), morte, retorno, Zero Hora (essa eu pulei), desconstrução pós-2000 (e nesse meio tempo ainda temos ““Novos 52” em 2011,  “Rebirth” em 2016, e “Doomsday Clock” em 2018… são três reboots de editora num espaço de 7 anos).

São muitos reboots, mas uma dessas versões mais recentes do personagem, que o reimagina em um outro contexto, curiosamente diferente de todos os outros anteriores, teve um backlash imenso na época em que foi proposto, quando o filme Superman Returns foi lançado em 2006. Era a que colocava o Superman no papel de pai. Quando o filme saiu, originalmente, muitos fãs reclamaram que ele fugia demais do cânone do herói, ainda mais adicionando um “superfilho” que nunca havia existido nos quadrinhos oficialmente.

Se até o Batman tem filhos, por que não o Super?

Isso não impediu a DC Comics de brincar com esse conceito e explorar, não só esse novo aspecto do personagem, como também o aspecto mais violento (já que suas cópias violentas também vinham fazendo bastante sucesso). Apoiados na visão da mais nova versão cinematográfica (do “visionário” Zack Snyder), em 2013 a editora lançou em conjunto Injustice: Gods Among Us em formato de revista em quadrinhos e um jogo de luta para videogame, que examinava um universo onde o Superman havia se tornado um ditador sanguinário.

Logo em seguida, em 2015, a editora também resolve colocar para jogo o filho do Super-Homem, um garoto chamado Jonathan Kent, em homenagem ao pai adotivo do herói. O sucesso de ambas as versões rendeu inúmeros novos quadrinhos, jogos, filmes (de sucesso moderado, mas com um séquito de fãs leais insistentes até hoje) e novos seriados de TV. 

Hoje, existe um Superman para todo mundo.

Pelo menos o nome não é sindicato do crime aqui…

QUEM É O SUPERMAN HOJE, ENTÃO?

Ao longo dos quase 90 anos do personagem, é praticamente impossível apontar uma única característica que não tenha mudado ou sido adaptada. A cada década, alguém se convence de que o Homem-de-Aço ficou datado para o novo contexto histórico, ou que ele não é mais relevante para o público atual; ou ainda que “é muito difícil” justificar uma sunga por cima da calça ou um par de óculos como disfarce. Com isso se esquecem que o Superman jamais foi um personagem só. E que não só ele continua relevante, como também está longe de ser datado. Ele é um personagem que se reinventa constantemente.

Atualmente, diante do ambiente político em que vivemos, muitos fãs e criadores têm buscado fazer um resgate das características mais essenciais do personagem, em especial o aspecto de defensor social e imigrante. Nos quadrinhos, há muito tempo ele abriu mão de sua cidadania americana porque não podia mais ser encarado como um agente a serviço de uma nação em específico. Em 2021, a DC Comics também finalmente resolveu trocar o lema do Superman para “Verdade, Justiça e um Amanhã Melhor”, abandonando de vez o American Way e abraçando ainda mais o seu apelido de “O Homem do Amanhã”.

Verdade, Justiça… e tudo isso que está aí!

Produções como My Adventures With Superman (2023), focam no aspecto dele ser um imigrante/alienígena e sua herança kryptoniana como sendo uma ameaça. Em Superman & Lois (2021), focamos mais em seu aspecto de pai de família, voltando a viver uma vida simples em Smallville com seus filhos e sua esposa. Nos quadrinhos, em Absolute Superman (2025), o herói volta às suas origens socialistas e trabalhistas, até mesmo com uma revisão do que o símbolo do “S” significa realmente dentro do sistema de castas de Krypton. E finalmente, em Superman (2025), do diretor James Gunn, o personagem abandona o pé no chão e a pretensa seriedade que seus filmes anteriores tentavam emplacar e mergulha de cabeça em seus aspectos mais fantasiosos, sci-fi e reconfortantes como na boa e velha Era de Prata (mas mesmo assim, sem deixar de lado certas críticas sócio-políticas do momento).

No momento, o amanhã parece realmente melhor para o Superman. Pelo menos até a próxima década, ou o próximo reboot… ou quando alguém mais uma vez reclamar que “óculos não é disfarce”.

Punkrocker – Teddybears ft. Iggy Pop.mp3

Por enquanto, ficamos com o mais novo lema do herói: “Talvez ser gentil é ser punk rock de verdade.