O novo filme do diretor aclamado de Hollywood e mente brilhante por trás de grande obras primas como Requiem Para Um Sonho e Cisne Negro, Darren Aronofsky, entra em cartaz aqui no Brasil nesta quinta-feira (21) e em uma entrevista que conta alguns dos momentos mais marcantes desse processo de gravação aos estúdios Paramount, ele nos revela esses detalhes. Confira a entrevista na integra baixo:

 

É como se você lançasse o desafio: Porque descartamos aquilo que nos alimenta e nos sustenta, mesmo correndo o risco de nossa própria destruição (natureza egocêntrica narcisista)? Por outro lado, porque permitimos isso, fechando nossos olhos para aquilo que isso representa (co-dependência, desinteresse)?

Aronofsky: Muito disso foi inconsciente. Escrevi tudo em 5 dias. Isso capturou meu espírito naquele momento. Tem a ver com muita insaciabilidade, com todos nós. Parece que muitas vezes precisamos constantemente aproveitar. Não sei de onde aquilo veio com a gente. Sou um ambientalista desde que era adolescente. Vejo este incrível planeta que habitamos e o que estamos fazendo com ele. Estamos começando a ver o limite de nossas ações. Estamos começando a ver o prato vazio.

 Esse filme irá gerar, sem nenhuma dúvida, muitas respostas provocantes e acaloradas, bem como um desconfortável e extasiante elogio. Você estará mais envolvido com o público com esse filme do que com outros filmes anteriores?

Aronofsky: Estou entusiasmado com as conversas que surgirão após assistirem ao filme. Quero que as pessoas deixem o cinema e conversem sobre o filme e espero que voltem para assisti-lo novamente. Há muita coisa acontecendo nesse filme. Não é aquele seu filme normal no cinema. Haverá muitos comentários e estou empolgado com isso. É como jogar uma granada de mão na cultura popular.

Jennifer Lawrence continua a se destacar por seu talento e pelos filmes que escolheu. As estrelas são notadas de uma maneira normalmente e por todos. Você ficou surpreso por ela se unir ao elenco?

 Aronofsky: Sim. Acho que quando estava escrevendo o roteiro nunca havia considerado Jennifer porque muitos atores como ela estão frequentemente muito ocupados. Sabia que não seria um filme com grande orçamento e por ela estar tão ocupada, não imaginei que ela teria tempo para atuar em um filme menor. Quando começamos a fazer o filme, recebi um telefonema de seus agentes e eles disseram que eu deveria me encontrar com ela em Atlanta. Quando a encontrei ela estava muito empolgada e interessada no filme. Não tinha certeza do que ela iria fazer com o filme. A quantidade de talento natural é verdadeiramente incrível. Ela realmente desenvolveu e deu vida à personagem. Ela é muito talentosa, definitivamente destemida.

Como foi Lawrence como colaboradora?

 Aronofsky: Ela é o sonho de qualquer diretor. Ela tem muita confiança. Porém, quando algo não faz sentido ela é muito articulada sobre o que aquilo significa. Ela não tem qualquer problema em pedir ajuda se estiver em dificuldades e isso demonstra confiança.

Para onde ela conduziu o papel que você originalmente criou?

 Aronofsky: No final, ela fez dele seu próprio papel. Você quer que os atores peguem o que você escreve e transformem aquilo no seu próprio papel. Como escritor, você quer ver como um ator entende o personagem e o expressa na vida real. Ela fez isso. Aquela é sua expressão de mãe.

Esta é sua sexta colaboração com o cineasta Matthew Libatique. Conte-nos sobre essa relação de trabalho e sobre a decisão de focalizar de perto o rosto de Jennifer durante todo o filme.

 Aronofsky: Conheci Mattie no primeiro dia da escola de cinema há 25 anos. Ele era o mais novo do departamento de diretores do AFI quando ambos estávamos lá. Somos ambos nova-iorquinos, ele cresceu no Queens e eu no Brooklyn. Ambos crescemos com o Hip Hop. Simplesmente tínhamos essa conexão. Ele tem um tremendo senso de estilo. E ele é tão obsessivo e compulsivo sobre a arte quanto eu sou. O único atrito que tivemos é sobre como fazer o melhor filme. Mas esta diferença desafiadora pode ser bastante útil. Existe muito respeito entre nós. Sobre os closes, desde a concepção do filme, eu queria fazer o filme a partir do ponto de vista de Jennifer. Todo o estilo de filmagem do filme era basicamente em três tomadas: no seu rosto, por sobre seu ombro ou a partir do seu rosto. Neste filme estávamos limitados por nossas fronteiras artísticas, então as transformamos em força. Este foi um filme completa e verdadeiramente subjetivo e era isso que queríamos. Mas Jennifer sempre o tornou interessante, sempre o mudou para melhor e por isso você não percebe que passa tanto tempo com ela.

Escolhendo o ator: Porque Javier Bardem? Foi aquela sensação de seriedade do velho mundo que ele parece ter em seus maneirismos?

Aronofsky: Sim. Tinha que encontrar alguém que pudesse contracenar com Jennifer e se dar bem. É sempre difícil encontrar alguém como ele, devido ao quanto ele é poderoso. Precisava de alguém que pudesse interpretar o personagem que seria charmoso, mas que o valentão pudesse ser incorporado.

Uma das atuações mais convincentes no filme é a de Michelle Pfeiffer. O quando daquilo que vemos é criação sua ou a penetrante interpretação dela da personagem da mulher, misturando aquela agressão e sedução na medida em que ela invade o mundo de mãe?

Aronofsky: Ela é mestre, simples e verdadeira. Michelle assumiu, entendeu e deu muita vida à personagem em todos os momentos. Todas as vezes, ela faz coisas que são muito difíceis e depois acrescenta mais e mais camadas. É dessa maneira que ela tenta esconder as emoções, mas isso vem à tona de maneiras diferentes e surpreendentes. Ela controla as luzes do local. Ela controla o set. Ela controla tudo. MUITO da personagem é Michelle.

Não há elos fracos no elenco. Todos possuem talento do calibre do Oscar. Porque você escolheu Ed Harris como o homem, o primeiro invasor do Paraíso?

Aronofsky: Tive que encontrar um ator que fosse tanto carismático mas que pudesse também ser estranho e ter esta tremenda paixão. Nós escolhemos o elenco na ordem de aparição dos personagens. Assim que contratei Jennifer, escolhemos Javier e depois o terceiro personagem apareceu, o qual era Ed. Como ele teria que carregar seu fardo contracenando com Javier e teria que ser alguém com quem o personagem de Javier gostaria de estar, assistir uma partida de futebol, Ed Harris era o cara, um homem admirado por outros homens. O que é incrível sobre Ed é que ele pode demonstrar fraqueza e todos os aspectos que o personagem exigia.