Editor's Rating

Supergirl é definitivamente divertido. Poderia ser um pouquinho melhor para acachapar de vez os bocas-mole que adoram falar mal de qualquer filme protagonizado por uma mulher. Mas é consistente. Passa de ano muito bem. Quero ver mais Milly Alcock nessa personagem.

8
Nota de Amanhãs

Quando eu vi o primeiro trailer de Supergirl, no finzinho do ano passado, confesso que fiquei um pouco com medo. Isso porque, depois do largo sorriso que o novo universo cinematográfico da DC de James Gunn arrancou de mim com Superman (2025), ver que o mais novo filme deles parecia uma cópia barata de Guardiões da Galáxia (2014) foi um tanto frustrante. 

Infelizmente, a comparação e a decepção persistem ao longo de Supergirl.

Mas calma! O filme não é de todo ruim, para ser sincero. Achei bem divertido, a trama tem seus bons e ótimos momentos, a ação é incrível, a trilha sonora arrebenta (o que já é uma marca registrada das produções de James Gunn de uma maneira geral), os momentos de emoção tem seus espaços bem colocados, etc. Mas ficou uma sensação irritante que a trama principal poderia ser algo muito mais bacana do que uma mistura de Bravura Indômita (2010) e John Wick (2014), com pitadas de Mad Max: Estrada da Fúria (2015). Afinal de contas, todos esses filmes são ótimos por si só e já seriam ótimas referências para uma trama centrada na “prima do Superman” no papel principal, mas infelizmente acontece tudo em todo lugar ao mesmo tempo, e a força que cada uma dessas tramas carrega acaba se perdendo e deixando Supergirl meio… morno.

Mas meu principal ponto de reclamação mesmo foram as cores! Ou a falta delas, para ser mais preciso. Acho um abuso a produção marketear o filme como sendo baseado numa puta duma HQ, a premiadíssima Supergirl: Mulher do Amanhã (2021, Panini Comics), que conta com uma arte absolutamente fenomenal da brasileira Bilquis Evely, e me soltar um filme MARROM e CINZA! A graphic novel, que conta também com o roteiro de Tom King, parece um oceano de cores vibrantes e visuais fantásticos inspirados por Moebius, cheio de azuis, roxos, rosas, verdes e vermelhos chocantes, lindos, alienígenas, que cobrem páginas inteiras! E o filme se passa em meio a desertos e cidades em ruínas, tudo com a mesma paleta de cores entediante.

Project: Hail Mary brinca com as cores melhor que este filme!

A MULHER DO AMANHÃ

一 Nossa, Kadu. Mas quanta porrada. Tem certeza que gostou mesmo do filme?

O pior é que gostei, sabia? Apesar da trama misturar três elementos distintos, o roteiro segue amarradinho, a história é concisa e divertida. Eu gostaria que eles tivessem se concentrado em um ou dois pontos apenas? Gostaria, mas de uma maneira geral o filme entretém e não faz tão feio. É basicamente uma nova origem para a personagem, que tem uma história mais do que confusa nos quadrinhos. Aqui, no entanto, vemos Kara Zor-El com problemas para se adaptar à Terra enquanto ainda carrega memórias de seu tempo e vida em Argo City, a única cidade a se salvar da destruição de Krypton, vagando pelo espaço dentro de um escudo de força.

Kara usa seu aniversário como desculpa, para fugir pelo cosmos e evitar se conectar com seu primo Kal-El, o Superman. Em um momento interessante do filme, as músicas terráqueas servem como uma forma de escudo contra os seus superpoderes, que ela passa a usar para se isolar do mundo. E é em meio a essa depressão que a encontramos, viajando pelo espaço sideral e visitando planetas de sol vermelho, que reduzem seus poderes e a permitem ficar bêbada (e fugir da realidade o máximo possível). Tudo muda quando ela encontra uma jovem chamada Ruthye (a novata Eve Ridley) que está em busca do líder do grupo dos Saqueadores, que matou sua família inteira, um homem chamado Krem (Matthias Schoenaerts, The Old Guard, Amsterdam). Eventualmente, as duas se juntam quando o vilão ameaça a vida do único companheiro de Kara, o supercão Krypto, e ambas partem em busca de vingança e da única forma de salvar a vida do pequeno mascote. Aparentemente, muitos fãs da graphic novel reclamaram do visual e do quanto o vilão principal é meio raso e esquecível, mas eu que não sou tão apegado então não liguei. De fato, ele foi um vilão clássico de filme de super-heróis, sem muitos tons de cinza, mas que funcionou perfeitamente para a história que queriam contar. Não é como se ele fosse extremamente memorável como uma figura inesquecível das HQs, né?

Contudo, o ponto alto do filme, sem sombra de dúvidas, foi a participação de Jason Momoa como ELE! O MAIORAL! O caçador de recompensas mais temido do universo! Lobo! Para falar a verdade, hoje eu até entendo o que o Zack Snyder queria quando o escalou para viver o herói Aquaman em seu falecido “DC cinematic murderverse”, mas esse sim foi o papel para o qual Momoa simplesmente nasceu para interpretar! Ele parece estar se divertindo horrores e o Lobo até ganha um ar de simpatia que costuma passar longe do personagem de forma geral. Claro, a classificação etária deixa as cenas de ação das quais ele participa um tanto “kid-friendly”, mas vale a pena. É bastante divertido.

Gizz de Feetal! O maioral chega com tudo!

A DONZELA PODEROSA

一 Tá, Kadu. Mas o filme é “woke”?

Olha, nem sei descrever isso, sinceramente. Se você é do tipo de pessoa que se preocupa com o nível de wokeness de um filme, o que quer que isso seja, acho que então esse filme não é para você. Primeiro, pelo fato da protagonista ser uma mulher. E segundo, porque o filme é uma espécie de espelho para o Superman de 2025. Isso porque apesar de Kara se encontrar em um lugar obscuro mental e emocionalmente, o seu filme é carregado de esperança e traz uma mensagem de que nós podemos, sim, ser melhores. Contudo, diferentemente daquilo que torna Clark humano, Kara acredita em um futuro melhor para ela e para os outros, mas nem por isso vai aceitar ser feita de otária por um bando de traficantes cósmicos de seres vivos. E ainda bem, sabe?

Gosto quando um filme com uma heroína feminina resolve tratar de temas que sejam reais ao momento em que vivemos agora. O Superman lidou com uma guerra entre países fronteiriços, bancada por um multibilionário norte-americano. E a Supergirl teve que lidar com um grupo de mercenários que invadiam planetas para roubar meninas e transformá-las em gado reprodutor, a fim de repovoar seu próprio planeta. É um tema sério que poderia ter sido melhor explorado, mas que fica subutilizado apenas como uma ideia e um “assunto extra” a ser resolvido em meio à porradaria final. Isso por si só já poderia ter sido um filme inteiro! Mas Craig Gillespie (Eu, TonyaCruella) não é James Gunn, né?

E a luta final, puxa vida. É visivelmente gravada no Volume, aquele estúdio esférico de painéis de LED utilizado para criar mundos artificiais “quase” reais e faz a batalha final cair de qualidade técnica como se o dinheiro do filme tivesse acabado de repente. E olha que até este momento a cenas de ação haviam sido ótimas e muito bem trabalhadas. Então é até espantoso notar como isso destoa completamente do filme no geral. Uma pena.

De resto, todo mundo está ótimo. A origem da Supergirl é melhor que a do Superman (os pais dela são bem mais legais), David Corenswet faz algumas aparições e continua consistente como de praxe com o herói, o vilão é meio qualquer coisa, mas não compromete, o Lobo é maravilhoso de se assistir e a pequena sidekick da heroína é uma fofa porradeira e determinada.

Supergirl é definitivamente divertido. Poderia ser um pouquinho melhor para acachapar de vez os bocas-mole que adoram falar mal de qualquer filme protagonizado por uma mulher. Mas é consistente. Passa de ano muito bem. Quero ver mais Milly Alcock nessa personagem.

TRAILER: