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O Mandaloriano & Grogu é um filme bem divertido. Produzido, escrito e dirigido pelas mãos dos caras que mais entendem de Star Wars no momento, ele é cheio de easter eggs que vão satisfazer até o mais ferrenho dos fãs e muita ação. Que é o que a gente quer ver mesmo.

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Em valor de merchandising

A muito tempo atrás em uma galáxia muito, muito distante incorporei um ditado para mim mesmo com relação às grandes produções de mega-franquias de cinema que é: “reduza suas expectativas e não se decepcionará”. E ele se aplica perfeitamente ao caso de Mandaloriano & Grogu, a mais nova produção dentro do universo de Star Wars.

Já há muito tempo fora das mãos e do controle criativo de George Lucas, a franquia das “guerras nas estrelas” passou por diversos altos e baixos. Entre pérolas como as primeiras temporadas da própria série do Mandaloriano, Andor e Rebels, ao mesmo tempo tivemos grandes decepções como A Acólita e a nova trilogia de filmes pós-trilogia original. Portanto, a maioria dos fãs de Star Wars já estão bastante calejados a esta altura… bom, pelo menos eu estou. Então não foi com grande afinco que fui me meter a ver a nova aventura de Din Djarin e seu pequeno colecionável de grande apelo mercadológico.

Dito isso, o filme é bem divertido. Produzido, escrito e dirigido pelas mãos dos caras que mais entendem Star Wars no momento, Jon Favreau (Homem-de-Ferro 1 e 2) e Dave Filoni (Clone Wars, Rebels), a produção é repleta de variados easter eggs que vão satisfazer até o mais ferrenho dos catadores de piolho e muita ação. Que é o que a gente quer ver mesmo, no final das contas.

A história continua pouco depois do final da terceira temporada da série, mas não exige que ninguém precise ter acompanhado os últimos anos de seriados no Disney Plus para poder entender. Aparentemente, isso tem espantado uma boa parte do público deste tipo de filme porque niguém tá muito afim de fazer “dever de casa” antes de ir ao cinema, né? Então é uma trama fechada bem redondinha que coloca Mando e Grogu em sua eterna relação de Lobo Solitário e Filhote (1972-1974), agindo como caçadores de recompensa a mando (heh) da Nova República, estabelecida após os eventos de O Retorno de Jedi (1983).

Como nas temporadas da série, os dois precisam ir e voltar de diversos lugares prestando uma série de serviços antes de conseguirem uma pista que os levará até o próximo lugar onde precisarão fazer mais favores antes de conseguir a próxima pista. O ponto principal da trama é que Mando continua caçando ex-comandantes imperiais que se esconderam no submundo da galáxia para fugir de serem julgados por seus crimes. Além disso, tem mais um trelelê com o sindicato criminoso dos Hutts que toma boa parte da segunda metade da trama.

 

Mas como Filoni e Favreau conhecem bem o seu público, o mérito do filme não está exclusivamente em sua história, que acaba sendo bem direta no fim das contas. O brilho do filme mesmo fica mais pelas beiradas, na inclusão de surpresinhas como um Glup Shitto aqui, um outro acolá e uns detalhes nos efeitos e animatrônicos que dão vida à produção. Além das presenças óbvias de Zeb da série Rebels e de Rotta, the Hutt (dublado por Jeremy Allen-White), que tinha sido visto pela última vez ainda bebê láááá em Clone Wars, ainda temos Sigourney Weaver como líder de um esquadrão de X-wings, Paul Sun-Hyung Lee reprisando seu papel como o piloto Carson Teva e o próprio Dave Filoni reprisando sua ponta como o piloto Trapper Wolf. Outra coisa bacana é que o filme dá o devido crédito não só ao Pedro Pascal que tem trabalhado mais dublando o personagem do Mandaloriano do que vestindo a armadura e logo no começo do filme vemos os nomes dos dublês Brendan Wayne and Lateef Crowder.

E entrando aqui numa área de pequenos spoilers, o filme brilhou mesmo para mim ali pelo fim do segundo terço: em um determinado momento, Mando fica incapacitado e quem precisa salvar o dia (e o seu papai) é o próprio Grogu. Nesta parte, o primor dos animatrônicos e dos efeitos digitais pagam o filme para qualquer grande fã de Star Wars. Quase como um filme mudo, vemos o pequeno Grogu tomar conta do corpo inerte do seu pai adotivo enquanto ele se recupera, inconsciente, de um ferimento. O “baby Yoda” garante proteção, abrigo e alimento para os dois e eu facilmente assistiria um episódio inteiro só com ele trabalhando, meditando e caçando comida.

 

E um dos outros pontos altos para mim, heh, foi que mesmo em uma produção de milhões e com tantas ameaças de roubo de empregos nas profissões de animadores e criadores de efeitos digitais por conta de inteligência artificial, Filoni e Favreau arranjaram um espaço para meter personagens animados em stop-motion só para manter a mesma sensação de “baixa produção” que os filme originais tinham. Se eu tiver que recomendar só uma cena para você, é justamente a que coloca o Mandaloriano e Grogu contra dois gigantescos dróides de combate. É como voltar no tempo.

No fim, Mandaloriano & Grogu é um filme divertido. Não chega a ser super inovador, mas vale a ida ao cinema se você é fã dos personagens. Caso contrário, não há mal nenhum em esperar sair no Disney Plus daqui a alguns meses.