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Há um filme bastante bom dentro de Pressão, mas fica preso na herança teatral
Pressão encontra sua maior força justamente naquilo que denuncia sua origem teatral — e também encontra aí o limite que o impede de ser um filme melhor. Baseado em acontecimentos reais e adaptado da peça homônima de David Haig, o longa acompanha o meteorologista James Stagg diante de uma responsabilidade difícil de transformar em espetáculo: determinar se as condições climáticas permitiriam a realização da Operação Overlord. A história real envolvia diferentes equipes, dados incompletos e métodos meteorológicos concorrentes, posteriormente condensados pelo cinema em conflitos mais diretos entre seus personagens.
É nesse caráter quase de teatro filmado que o filme funciona melhor. Andrew Scott transforma Stagg em um protagonista pouco preocupado em conquistar a simpatia de quem está ao redor — e é justamente sua personalidade difícil, contida e pouco carismática que torna interessantes tanto o personagem quanto seus atritos com os colegas. Scott sustenta boa parte de Pressão nos silêncios, na inquietação e na dificuldade de um homem obrigado a oferecer respostas definitivas quando seu trabalho só permite falar em probabilidades. Brendan Fraser, como Dwight D. Eisenhower, também funciona bem como contraponto e como figura de autoridade sobre quem recai a decisão final, embora nunca ameace roubar de Scott o centro do filme.
Anthony Maras preserva bastante dessa herança teatral, concentrando a ação em salas, diálogos e confrontos entre personagens. Não é, por si só, uma escolha ruim: o elenco é justamente o maior recurso do longa, e visualmente Pressão encontra maneiras interessantes de trabalhar espaços fechados e a atmosfera de época. O problema aparece quando a direção parece sentir a necessidade de tornar o material mais ostensivamente cinematográfico. As montagens de nuvens, chuva e outros fenômenos naturais destinadas a ampliar a tensão em torno da previsão do tempo são bonitas, mas emocionalmente vazias; repetidas, acabam parecendo um recurso barato para fabricar suspense onde os próprios personagens já estavam conseguindo criá-lo. São também os poucos momentos em que o ritmo, de resto eficiente sem ser particularmente notável, parece se estender além do necessário.
Há um filme bastante bom dentro de Pressão, sobretudo quando Maras confia na estranheza de seu protagonista, nas atuações e na tensão que pode existir simplesmente em pessoas discutindo dados cujo significado pode decidir milhares de vidas. Sua origem teatral nunca chega a ser um problema em si e, muitas vezes, é responsável por suas melhores qualidades. A sensação que permanece, porém, é a de uma adaptação que poderia ter pensado com mais ambição sobre o que o cinema acrescentaria à peça. Pressão funciona, envolve e encontra em Andrew Scott uma excelente âncora, mas termina parecendo menos o filme que poderia ter sido do que uma boa peça que aprendeu — apenas parcialmente — a falar a linguagem do cinema.

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