Finalmente mais uma etapa do Gunniverso DC estreou no HBO Max, trazendo um dos heróis mais amado pelo público dos quadrinhos: Hal Jordan, o Lanterna Verde. E ele não veio sozinho. Jordan chega acompanhado de um ilustre “aprendiz”, muito conhecido também de quem acompanhava o desenho animado da Liga da Justiça nos anos 2000: John Stewart. E como essa dinâmica se deu em live action? Acompanha aqui comigo.

Como a maioria das séries de heróis em serviços de streaming, Lanternas (2026) é uma série pequena, de apenas oito episódios, a serem lançados semanalmente. Com apenas dois lançados até o momento, ainda é difícil de dizer por onde a história deve seguir, mas ela já conta com alguns pontos bastante interessantes.

A princípio, acho bacana que a maioria das pessoas deste novo universo DC trata os Lanternas Verdes como “policiais espaciais” e menos como super-heróis propriamente ditos. Apesar do uniforme e dos superpoderes, logo no primeiro episódio vemos Hal dando uma entrevista na TV revelando não só sua identidade secreta, como também a história de como foi escolhido (ou pelo menos parte dela) e o que é a Tropa Lanterna Verde. E é pegando por esse lado de “polícia do universo” que temos algumas das melhores histórias dos Lanternas, como por exemplo o longa em animação de 2009, Primeiro Vôo, que foi basicamente uma adaptação de “Dia de Treinamento” (2001), só que em outros planetas. 

No caso da série, o tal “dia de treinamento” é para o novato e candidato a ser o próximo Lanterna Verde da Terra, John Stewart. Enquanto para Hal Jordan fica o cargo do policial veterano, que já está velho demais para aguentar essa m*rda toda.E é super interessante ver um Hal Jordan de saco cheio. Até porque, para quem já passou por todos os altos e baixos que o herói passou nos anos 90 nos quadrinhos, faz bastante sentido que ele se sinta desiludido com todo o aspecto da profissão de super-herói que lhe coube por anos.

A trama ocorre principalmente em 2016, mas ao mesmo tempo ela salta por várias décadas mostrando a evolução de Hal até o momento presente: Ele conta como conseguiu o anel em 1986; Acompanhamos sua entrevista e um John Stewart ainda criança assistindo-o na TV em 1996; e temos um salto até 2026 no fim do primeiro episódio.

E tudo funciona basicamente como uma boa e velha série de investigação, ou um buddy cop movie, como Máquina Mortífera, de 1987 (se o policial porra louca e o velho cansado fossem a mesma pessoa, no caso). Ficamos conhecendo a timeline básica desta história, quando de repente, um caso chama a atenção dos heróis, envolvendo o assassinato de um grupo de alienígenas em uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos. Quem eram esses ETs? Por que foram assassinados? Quem os matou? O que queriam ali? Com muitas perguntas e pouquíssimas respostas, Hal e John se unem à Xerife Kerry (a única moradora da cidade com um mínimo de bom senso) para desvendar o que está acontecendo ali.

PONTOS POSITIVOS ATÉ O MOMENTO

  • Achei ótimo terem escolhido justamente o John Stewart para ser o, digamos, protagonista desta série. Graças ao desenho animado dos anos 2000, muita gente teve seu primeiro contato com o Lanterna Verde com ele como personagem. Então acho bacana fazer este tipo de ligação com os fãs mais recentes. Como no desenho, sua personalidade é de um cara corretinho, ex-militar, que anda na linha. Muito embora em sua origem nas HQs ele tenha sido apenas um arquiteto. Não conhecia o ator Aaron Pierre, mas gostei dele como John Stewart.
  • Hal Jordan velho de guerra. Neste novo universo, aparentemente o Lanterna Verde foi o primeiro super-herói a surgir em público e talvez ele mesmo tenha sido uma inspiração para o novo Superman, o que seria interessante. Mas como Hal é conhecido por ser um personagem extremamente merdeiro nos gibis, o fato dele já estar nessa vida há quase três décadas meio que dá uma justificativa em seu jeito meio apático e desiludido de ser. Passei anos querendo Nathan Fillion nesse papel que nunca imaginei que Kyle Chandler daria um ótimo Hal Jordan. Tô amando!
  • John Stewart fazendo merda logo no primeiro dia. E pegando mulher casada, quem diria? Além disso, ela é uma figura muito suspeita, mas imagino ser o clássico “red herring”, ou pista falsa, da história.
  • Mogo não comparece às reuniões. Como qualquer produção de super-heróis, ela está fadada a carregar easter eggs para os fãs mais atentos e de longa data. Neste caso em específico, a senha para acessar o cofre onde Hal Jordan guarda sua lanterna é em inglês “Mogo doesn’t socialize”, que é o título de uma história de Alan Moore e Dave Gibbons, publicada originalmente em 1985, em Green Lantern #188 como parte de uma série de histórias chamada Tales of the Green Lanterns. Ela contava a história de um dos membros mais ilustres da Tropa, o planeta vivo Mogo. Aqui no Brasil, ela saiu primeiro em Grandes Clássicos DC n° 9 (2006), da Panini. Mas também saiu em Universo DC por Alan Moore (2022) e A Saga do Lanterna Verde #8 (2026).