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Statham ainda não precisa se aposentar mas alguns dos clichês do filme, sim.

6

Código: Vingança não tenta reinventar o cinema de ação — e, na maior parte do tempo, parece perfeitamente confortável com isso. O novo veículo para Jason Statham coloca o ator como Cole Reed, especialista em segurança e ex-militar que se vê acusado pelo assassinato do próprio empregador e precisa descobrir quem armou contra ele. É uma premissa construída com peças tão familiares que praticamente dispensa explicações, mas o diretor Jean-François Richet entende onde está o verdadeiro interesse do filme: menos na conspiração que move a história e muito mais nas oportunidades que ela oferece para colocar Statham em movimento.

É nas sequências de ação que Código: Vingança realmente se destaca. As lutas são bem coreografadas, filmadas com clareza e aproveitam os espaços ao redor dos personagens em vez de tentar esconder a ação atrás de cortes frenéticos. A fotografia de Brendan Galvin contribui para que o espectador consiga acompanhar a geografia dos confrontos, enquanto a fisicalidade dos dublês dá às cenas um peso que falta ao restante da narrativa. O elenco ao redor de Statham cumpre adequadamente suas funções, mas dificilmente compete pela atenção: este é um filme construído para chegar de uma sequência de ação à próxima, e é justamente quando faz isso que encontra sua melhor versão.

O problema está no material que ocupa o espaço entre essas sequências. O roteiro de Lindsay Michel e J.P. Davis nunca se move muito além dos clichês de conspiração, do passado militar misterioso e de adversários que existem principalmente para serem eliminados pelo protagonista. Nada disso impediria o filme de funcionar como entretenimento, mas alguns desses arquétipos começam a demonstrar uma idade que seu protagonista curiosamente não demonstra. Aos 58 anos, Statham ainda apresenta vitalidade e presença física suficientes para sustentar convincentemente esse tipo de papel. O que parece mais próximo da aposentadoria não é o ator, mas a insistência em cercá-lo sempre com variações dos mesmos personagens e conflitos.

Código: Vingança entrega exatamente aquilo que promete. É divertido, tem excelentes cenas de ação e sabe explorar a presença de uma estrela que praticamente se tornou um subgênero cinematográfico por conta própria. Ao mesmo tempo, existe um limite para quantas vezes eficiência pode substituir novidade. Richet encontra maneiras interessantes de filmar os golpes, perseguições e confrontos, mas o roteiro raramente encontra uma maneira igualmente interessante de levá-los até lá. Statham ainda parece perfeitamente disposto a continuar correndo, lutando e derrubando adversários por alguns bons anos; talvez sejam os clichês que o acompanham que precisem finalmente começar a sentir o peso da idade.