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Apesar de episódios divertidos, a temporada centrada em Apocalipse ficou um pouco aquém da primeira, deixando a sensação de que algumas tramas poderiam ter sido melhor exploradas. Boa parte da graça continua nos easter eggs diversos para os fãs mais atentos.
Enquanto os mutantes da mansão Xavier não chegam de fato ao universo cinematográfico da Marvel, a gente fica com o universo nostálgico dos desenhos animados dos anos 90 sendo revividos no Disney Plus. A segunda temporada de X-men 97 se encerrou recentemente no serviço de streaming e trouxe consigo mais um mar de referências, saudosismo, boas histórias e arcos nem tão interessantes assim. De qualquer forma, a qualidade da maioria dos episódios ainda continua alta, mas será que a segunda temporada se equipara à primeira? Vamos conferir.
EPISÓDIOS
Lançados no mesmo dia, os três primeiros episódios deram continuidade ao final da trama da primeira temporada em que a equipe havia sido dispersada pelo tempo, com parte perdida no passado, no antigo-antigo Egito; outros isolados em um futuro distante; e o restante no presente. O S02E01: Dias de um Futuro Passado, se inspirou levemente na minissérie As Aventuras de Ciclope e Fênix que foi lançada aqui no Brasil em 1996, pela editora Abril Jovem. Nela ficamos sabendo como Scott Summers e Jean Grey puderam criar seu filho Nathan Christopher Summers, o futuro Cable, durante anos, ensinando-o a usar seus poderes mutantes e conter o vírus tecnorgânico em seu corpo. No episódio, no entanto, apenas alguns dias parecem ter se passado até que Forge surge vindo dos anos 1990 para resgatá-los.
No S02E02: Uma Força a ser Reconhecida, vemos como a equipe de Xavier e Magneto sobreviveu no Egito antigo, criando uma parceria com o primeiro mutante, En Sabah Nur, antes dele se tornar o vilão conhecido como Apocalipse. A princípio a série parece engrenar pelos mesmos temas controversos que fizeram o sucesso da primeira temporada, dividindo as opiniões dos próprios X-men quanto a tentar “controlar” o Apocalipse antes mesmo dele ressurgir como o mal encarnado. Aparentemente, nenhum deles jamais ouviu falar sobre paradoxo ontológico ou efeito borboleta.
Com o lançamento dos episódios S02E03/S02E04: A Ascensão do Apocalipse, Partes 1 e 2, tudo aquilo que a gente já esperava acabou acontecendo. Os próprios X-men se tornaram os criadores de um dos seus maiores vilões. Ambos os episódios foram livremente inspirados em uma outra minissérie, com o mesmo nome, lançada por aqui em 1998, também pela editora Abril. Nela, a origem do vilão está diretamente ligada à outro personagem que viaja pelo tempo: Kang, o Conquistador. O restante da trama acaba sendo bastante parecido entre o desenho e os quadrinhos, com En Sabah Nur encontrando tecnologia dos Celestiais e sendo elevado ao status de “conservador evolucionário” da humanidade, testando civilizações e eliminando as mais fracas. São nesses dois episódios também que somos apresentados às versões da X-force e do X-factor deste universo animado. Com uma abertura inteiramente dedicada à equipe de Cable que conta com Psylocke, Arcanjo, Mancha Solar e Jubileu.
Depois disso, a trama principal envolvendo o Apocalipse e seu plano final de dominação mundial tem uma pausa e fica em segundo plano, conectando alguns dos episódios. Em S02E05: Arma X, Mentiras e DVDs (que faz menção a um episódio de nome similar do run original do desenho em 1994), temos uma das tramas paralelas mais bacanas que envolve a Equipe X de Wolverine e os outros experimentos do Projeto Arma X: Dentes-de-Sabre, Maverick e Kane. Além deles, temos também o seu eterno sidekick Morfo e Lady Letal. O divertido é que alguns desses personagens são feitos de “camisas vermelhas” sem a menor cerimônia, quando a equipe invade uma antiga instalação da Arma X e dá de cara com os alienígenas da Ninhada. Entre diversas referências aos quadrinhos e ao desenho original (em especial o primeiro episódio da terceira temporada: Retorno ao Passado), vemos nosso baixinho invocado ser infectado pelos alienígenas e recuperar o adamantium do seu esqueleto.
O episódio S02E06: Perigo.exe também se inspirou em um arco de histórias dos quadrinhos. Mais especificamente o arco Perigoso do excelente run de Joss Whedon e John Cassaday, lançado originalmente aqui no Brasil em 2006 pela editora Panini. Só que apesar da história ser de uma equipe criativa, o visual do desenho pegou inspiração em outra fase da equipe, escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely. De qualquer maneira, a história segue mais ou menos os mesmos pontos, com poucas adaptações. Nela, a famosa Sala de Perigo desenvolve consciência e decide atacar os X-men como uma forma de “avaliar suas capacidades de sobrevivência”. Contudo, apesar de ter surgido como vilã, a personagem nos quadrinhos acabou mudando de lado e fazendo parte de algumas versões da equipe.
A caminho do fim da temporada, o episódio S02E07: Terra Selvagem, Coração Selvagem lida com as consequências da morte de Magneto pelas mãos de Apocalipse e de seu novo status de “mártir da causa mutante”. Livremente inspirada na história Pares, publicada aqui em 1997, na revista X-men #99 da editora Abril, a trama gira em torno de um julgamento proposto pelos acólitos e comandado pelo mutante Êxodo. No desenho, o réu é ninguém menos do que o candidato à presidência Graydon Creed, enquanto nos quadrinhos o réu não passa de um acólito qualquer, acusado de traição. Gostei particularmente deste episódio por conta da participação do Noturno e da exploração de temas como perdão, maldade e, de certa forma, as origens de algumas formas de preconceito.
Por fim, no S02E08: A Mão do Homem Morto retornamos à trama principal envolvendo o vilão Apocalipse e a volta dos mortos de ninguém menos do que o cajun favorito dos fãs, Gambit. Ao invadirem o santuário de Apocalipse a X-force de Cable encontra o corpo do vilão mumificado e a única pista sobre quem pode ter feito isso era uma carta de tarot queimada. Após seguir diversas pistas ao longo da temporada, eles deduzem corretamente que trata-se do corpo de Gambit que havia sido utilizado em um ritual e possuído pela alma de Apocalipse, para que ele pudesse continuar sua missão de “selecionar os mais aptos”.
Cable se dirige à Genosha, onde parte dos X-men montou uma nova base, para a Corporação X e propõe uma parceria para que juntos eles possam encontrar Gambit, salvá-lo da influência de Apocalipse e derrotar o vilão de uma vez por todas. Ao descobrirem que ele estava em Nova Orleans em busca de um amuleto sagrado, as duas equipes partem em seu encalço e a porrada come! Contudo, o plano real de Cable era apenas usar Xavier e seu novo mega rastreador de mutantes, a Cérebra, e meter uma bala na cabeça do Gambit e acabar com tudo de uma vez. Só que ele não contava com a força de vontade dos X-men, especialmente a de Vampira, que acabam levando o cajun de volta à Mansão X para tentar salvá-lo. O episódio se encerra com Valerie Cooper bancando a cobra traiçoeira mais uma vez e propondo uma aliança entre o X-factor e a X-force contra os X-men.
A história principal se encerra no episódio S02E09: A Sobrevivência do Mais Apto. Quando os X-men precisam enfrentar Cable e sua X-force em conjunto com Valerie Cooper e o X-factor, mais uma porrada de soldados em armaduras-sentinelas. A equipe tenta desesperadamente proteger Gambit, enquanto Fera, Vampira e Noturno vão atrás da nave de Apocalipse em busca de alguma maneira de separar a consciência do vilão do corpo do amigo. Vampira entra em contato com o celestial Eson, o Pesquisador e propõe sacrificar a própria vida em troca da de Gambit. Nisso, Cable já havia dado uma surra em todos os X-men e se aproximado do Cajun, desferindo um tiro fatal.
O que ele não imaginava era que, ao eliminar definitivamente a vida de Gambit, ele tinha aberto espaço para que Apocalipse dominasse seu corpo de vez. Agora, como Gambitalipse (ou seria Apocagambit? Apogamblipse?), ele domina todos os X-men, X-force e X-factor, e ameaça destruir Cable e Xavier por completo para dar início ao seu reinado eterno. É quando Vampira surge, imbuída dos poderes celestiais de Eson e consegue finalmente libertar o seu amado da consciência de Apocalipse, aprisionando-o a uma joia, que ela entrega a Cable para guardar. Logo depois, Fera retorna sozinho à Torre X e só então ficamos sabendo que o sacrifício da vida de Vampira havia sido substituído pelo de Noturno, que queria dar à sua irmã adotiva um final feliz ao lado de seu amado cajun. A temporada se encerra com os mutantes curtindo um período de calmaria em Genosha e na Mansão X, enquanto nos bastidores do governo vemos Mística tomando o lugar de Valerie Cooper e reunindo o que parece ser a boa e velha Força Federal dos quadrinhos. Uma versão governamental da Irmandade de Mutantes, criada nos anos 1980 por Chris Claremont e John Romita Jr.
VEREDICTO:
Apesar de alguns episódios divertidos, a temporada centrada em Apocalipse ficou um pouco aquém da primeira, que havia sido maravilhosamente boa. Talvez isso seja culpa da própria equipe criativa da série, por estabelecer um padrão altíssimo em matéria de temas e roteiro, ou talvez tenha sido porque a Marvel decidiu mandar embora o desenvolvedor original Beau DeMayo antes mesmo de começarem a produzir a segunda temporada. Jamais saberemos.
Mas fica ainda aquela sensação de que algumas histórias poderiam ter sido melhor exploradas, além da questão “Apocalipse roubou o cadáver do Gambit para assumir seu corpo, sem um motivo aparente”. De qualquer maneira, já sabemos que X-men 97 está garantida até a quarta temporada, pelo menos. O que pode nos garantir adaptações ainda melhores mais para frente.
Não posso deixar de exaltar o trabalho da dublagem brasileira também, dirigida pelo Sérgio Cantú e o estúdio Media Access Company. Além de uma escolha excepcional para as vozes trazendo a maioria dos dubladores clássicos dos personagens (e fazendo as adaptações de elenco necessárias), o diretor também dublou um dos meus X-men favoritos, o Noturno, e ainda tentou trazer um pouquinho de sotaque em sua versão. Minha única reclamação, aliás, na maioria das produções de X-men é justamente essa “falta de sotaque”, porque os mutantes são um grupo tão diverso, com membros vindos de várias partes do mundo e nos quadrinhos seus padrões de diálogo e sotaque são muito bem marcados… Coisa que se perde na maioria das dublagens. Mas aqui, Cantú tentou ao máximo dar essa encaixadinha nas vozes de alguns personagens e só por isso, merece meus aplausos.
No fim, boa parte da graça da série ainda fica nos easter eggs diversos de capas, visuais e cenas clássicas dos quadrinhos reproduzidas para os fãs mais atentos (ou será que eu deveria dizer “idosos”?). Gosto bastante também de como a série não fica centrada em Wolverine e companhia, variando de personagem em personagem, com focos diferentes em outros membros da equipe. Ainda senti um pouco de falta de um episódio focado na Tempestade? Talvez. Mas gostei bastante do foco em Vampira e Noturno e em sua relação familiar conturbada.
No fim, fica apenas a pergunta: “Quando é que a série vira X-men 98?”





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