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Super Mario Galaxy distrai as crianças, mas deixa um pouco a desejar se você curte levar os pequenos em filmes que tenham pelo menos um resquício de lição no final, ou mesmo de coerência interna. Como filme, ele é uma ótima propaganda de produtos da Nintendo.
Sabia que toda vez que eu penso em Super Mario Galaxy (o jogo), eu lembro de um clipe no youtube ao som de Don’t Stop Me Now do Queen? Ok, que não é um acontecimento muito recorrente porque, bom, eu não penso tanto assim sobre Super Mario Galaxy (o jogo), para ser sincero. Mas com o lançamento de Super Mario Galaxy (o filme), essa música tem ficado na minha cabeça por boa parte de uma semana, já.
Baseado no jogo de 2007 da Nintendo para o então console da empresa no momento, o Wii, o filme de 2026 tem muito pouco a ver com a história do jogo e toma um bocado de liberdades com o conceito de “roteiro”, digamos assim. É curioso também notar que, como sequência do filme 2023, Super Mario Bros, a Nintendo tenha resolvido pular direto para o “Galaxy” em vez de seguir a linha mais básica de nomes de jogos do personagem, como:
- Mais Super Mais Mario Bros.
- Super Mario Bros: Desafio em Tóquio
- Mario & Bros
- Mario Five
- Super Mario Bros 6
- Bros 7
- Super Mario Bros apresenta: Yoshi & Toad.
Enfim… é uma lista imensa de sequências que poderiam ter sido feitas antes de viajarem pelo espaço. Mas ei, o filme traz de volta o elenco de vozes do original (em inglês), com Chris Pratt fazendo o mínimo, Jack Black fazendo mais do que devia, além de Anya Taylor-Joy, Keegan-Michael Key e Charlie Day. Os personagens novos ficam por conta de Brie Larson como a Princesa Rosalina e Donald Glover como Yoshi, uma interpretação incrível, aliás, que me lembrou do George Clooney dublando um cachorro em South Park.
As versões dubladas em português trazem o elenco do filme original também com Raphael Rossato como Mario, Manolo Rey como Luigi e Carina Eiras como Peach. Marcio Dondi também volta como a voz do vilão Bowser e Eduardo Drummond como o pequeno Toad (muito embora eu ainda sinta muita saudade da voz do Oberdan Júnior, do desenho clássico dos anos 1990). As vozes novas ficam por conta de Aline Ghezzi como a Princesa Rosalina, Charles Emmanuel como Bowser Jr. e Felipe Drummond como Fox McCloud.
TÁ, MAS E O FILME?
É aquele negócio, né? Qual é o seu objetivo com uma ida ao cinema? Você quer se emocionar? Quer ver algo digno de um Oscar? Quer se colocar no lugar de algum personagem passando por uma situação difícil e aprender alguma lição de vida digna de ser levada para sua sessão de terapia na semana seguinte? Ou só quer uma hora e meia de distração com as crianças e um balde novo de pipoca de plástico superfaturado? Se for a última opção, meu amigo, tenho um filmaço para te indicar!
Brincadeiras à parte, Super Mario Galaxy (o filme) é um produto da Illumination, a mesma empresa responsável pelos filmes dos Minions e, se você sabe onde eu quero chegar com isso, para bom entendedor, meia palavra basta. Diferentemente do filme de 2023, que tinha um mínimo de personalidade, a continuação da franquia do encanador italiano fica pelo meio do caminho. O filme é uma sucessão de gags e piadas prontas entremeadas por um pouco de ação aqui e ali e os ocasionais easter eggs de personagens da Nintendo para agradar os fãs mais catadores de piolho.
Mas não me entenda mal, eu não sou um cara que vai ver um desenho animado de uma mega-franquia de videogame esperando algo digno de Oscar, vamos combinar. Se até mesmo a Disney+Pixar andam mal das pernas com seus filmes, o que esperar de um estúdio que faz sucesso com piada de pum e capanguinhas amarelinhos? Ainda assim, seria legal ver um filme que seguisse um mínimo de coerência interna e que tivesse pelo menos uma mensagem ao final. Nem que seja aquela básica de “ser mal é ruim”, sabe? Infelizmente, nem isso acontece.
Em suma, uma nova princesa é raptada, os irmãos Mario encontram o Yoshi, a Princesa Peach vai salvar a outra princesa, Mario, Luigi e Yoshi se unem a Bowser para encontrar as duas princesas, o filho do Bowser quer reencontrar o pai e destruir o universo e eles encontram o Starfox em um determinado ponto. Bowser era mal, mas fica bom, mas fica mal, aí fica em dúvida e no fim, fica mal de novo. Peach redescobre seu passado e no fim todo mundo dança junto Uptown Funk. Um desses acontecimentos é mentira. E você JAMAIS vai descobrir qual é. Por que nada aqui faz o menor sentido, meritíssimo.
Eu realmente gostaria de ser menos rígido com Mario Galaxy, mas é complicado. Minha recomendação mais honesta seria de rever o filme de 2023, Super Mario Bros – O filme, ou talvez a outra bomba de 1993, Super Mario Bros – O Filme. E no fim, torcer por um filme bacana de Starfox!



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